Cidade do México - A cerca de dois meses das eleições presidenciais no México, o candidato governista, Felipe Calderón, aparece na liderança da disputa, segundo pesquisa publicada ontem pelo reputado diário mexicano “Reforma”. O levantamento sinaliza pela primeira vez uma queda do centro-esquerdista Andrés Manuel López Obrador, 52 anos, que nos últimos três anos vinha sendo apontado como um claro favorito para vencer o pleito de 2 de julho.
Calderón, do Partido da Ação Nacional (PAN, de centro-direita), obtém 38% dos votos, seguido por López Obrador, com 35%. A diferença está acima da margem de erro, de 2,3 pontos percentuais para cima ou para baixo.
Em terceiro, com 23%, vem Roberto Madrazo, do Partido Revolucionário Institucional (PRI), partido que governou o país por 71 anos até 2000, quando perdeu para o atual presidente, Vicente Fox (PAN). O jornal ouviu 2.100 pessoas entre 20 e 22 de abril.
No mês passado, uma outra pesquisa do “Reforma” apontava uma vantagem de dez pontos percentuais de López Obrador sobre Calderón. Há apenas um mês, o próprio López Obrador, do Partido da Revolução Democrática (PRD), havia se definido como “politicamente indestrutível”.
Ontem, ele qualificou os resultados como “manipulação”. “Digo às pessoas que estamos dez pontos à frente e não minto.” Outra pesquisa, publicada também ontem pelo jornal “Excélsior”, aponta López Obrador ainda na liderança, com 35%, mas com uma distância dentro da margem de erro de 3,1 pontos percentuais em relação a Calderón, com 33%. Analistas mexicanos atribuem a queda do candidato oposicionista em parte a sua atitude provocativa. Recentemente ele mandou o presidente Fox “calar a boca” e o comparou à “chachalaca”, uma ave selvagem conhecida por seu grito estridente.
Fox é a figura política mais popular do país, com cerca de 70% de aprovação. Outro fator seria a recusa do esquerdista em participar do primeiro debate presidencial na TV mexicana, previsto para ontem. AMLO, como é conhecido no México, ganhou popularidade com um discurso pelo fim de reformas liberalizantes e em favor de maiores investimentos em infra-estrutura e bem-estar social -políticas similares às que lhe renderam apoio como prefeito da Cidade do México. Já o PAN apostou em vincular a imagem de AMLO à do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, apontando-o como “perigoso” para o país.