Embora grande parte dos bauruenses saiba exatamente a localização das lombadas e radares eletrônicos fixos instalados na cidade, nem sempre conseguem evitar as multas. Em média, 35 delas são aplicadas por dia. O número, no entanto, já foi maior especialmente nos anos de 2000 e 2001, quando os aparelhos ainda eram novidade.
Na época, a incidência de multa diária oscilava, em média, entre 56,7 e 60,5, respectivamente. A queda de aproximadamente 40% indicada pelas estatísticas da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), não pode ser atribuída apenas ao hábito do motorista de reduzir a velocidade ao se aproximar de radares e lombadas.
Também é resultado da “dor no bolso” (em decorrência das multas) e suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Quem avalia é o sargento da Base de Trânsito da Polícia Militar (PM), Aparecido Bento. “Aí eles (motoristas) começam a respeitar. O bauruense é desobediente. Não respeita a sinalização, nem a velocidade máxima da via. Muitos se distraem e são multados mesmo sabendo a localização (dos equipamentos)”, comenta.
É o caso da empresária Silvia Cristina Pereira de Andrade. Ela não lembrou do radar instalado na avenida Nações Unidas e passou em velocidade acima da permitida. “Eu estava trabalhando. Com a correria, esqueci. Agora estou mais esperta. Sei onde ficam os radares da cidade, inclusive o das estradas. Na época, levei uma multa grave”, conta. Esse tipo de penalidade resulta na perda de cinco pontos na CNH e num desfalque de cerca de R$ 127,00.
Multas
A multa grave é aplicada quando o motorista transita com velocidade até 20% superior à máxima permitida em rodovias, vias de trânsito rápido (não existem em Bauru) e vias arteriais (como a avenida Nações Unidas). Já quem ultrapassa os 20% sofre conseqüências bem piores. A multa é gravíssima, supera os R$ 570,00 e o motorista perde temporariamente o direito de dirigir.
Corre o risco quem transita em alguns trechos da avenida Nações Unidas, por exemplo, a 75 quilômetros por hora: a velocidade é 25% superior aos 60 quilômetros por hora estabelecidos para a via. O “deslize” pode ser flagrado especialmente pelos radares móveis, que vem sendo usados em vários pontos do município.
“É um saco porque têm pontos em que a velocidade (estabelecida como máxima) é muito baixa. Eu ando pela cidade inteira e nunca fui multado (pelos radares fixos), mas acho que posso ter sido multado pelo móvel na última segunda-feira. Com certeza é a indústria de multa”, comenta o comerciante Marcos Alexandre Florêncio.
Conforme o JC já divulgou, a decisão da Emdurb de usar radar móvel foi tomada após o monitoramento realizado no mês passado. O estudo apontou que quase a metade dos condutores transitava acima da velocidade máxima permitida. Dos 14.897 veículos fiscalizados em 30 pontos de diversas vias de Bauru, 48% foram flagrados em velocidade acima da máxima permitida para a via.