O racismo está aumentando no Brasil? O sistema de cotas nas universidades é alternativa contra o racismo? Essas e outras questões – como raízes do preconceito e mito da democracia racial no Brasil - foram discutidas ontem no “Colóquio 2: (In)tolerância étnico-racial”, promovido pelo Grupo de Tolerância da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru.
O evento, que faz parte do programa “Convivência da diversidade – atuando contra intolerências, preconceitos e desigualdades” proposto pelo Núcleo pela Tolerância do Departamento de Ciências Humanas da Unesp é o segundo dos quatro colóquios de fundamentação teórica previstos para este semestre.
No evento, estiveram presentes professores da rede estadual de escolas de Bauru e da Unesp: Colégio Técnico Industrial (CTI), Luiz Zuiani, Ernesto Monte e Interativo. Após receber embasamento teórico, os professores juntamente com os alunos colocarão em prática projetos discutidos durante os colóquios. “Teremos programas de rádio, blogs, vídeos e outras atividades práticas. Além da questão racial, trataremos também da intolerância social, sexual e estética”, explica o coordenador do programa, professor Clodoaldo Meneguello Cardoso.
O professor da Unesp de Araraquara Dagoberto José Fonseca, um dos palestrantes, defende que a cota para ingresso de negros nas universidades é bem-vinda, mas que precisa de planejamento. “Se a Unesp já tivesse iniciado o sistema de cotas este ano, em 2010 poderia ter 50% das vagas destinadas a afrodescendentes”, opina Fonseca.
Na opinião da professora mediadora do colóquio, Marizilda dos Santos Menezes, o racismo no Brasil ainda é grande, mas a maioria das pessoas não admite. “O racismo é camuflado. As pessoas se ofendem, ainda, quando são chamadas de racistas”, diz.
A diferença entre o colóquio e a palestra principalmente da participação do público. “Em um colóquio, a platéia pode opinar e fazer perguntas durante a apresentação do palestrante. É uma atividade menos formal”, explica Menezes.