Moscou - No dia em que a tragédia de Chernobyl completou 20 anos, milhares de pessoas realizaram alguns atos para lembrar do acidente. Ontem, à 1h23 no horário de Moscou (18h23 de ontem no horário de Brasília), pessoas das regiões mais afetadas - Ucrânia, Belarus e Rússia - fizeram um minuto de silêncio. Neste horário, em 1986, foi registrada a explosão.
Milhares também carregaram velas pelas ruas de Slavutych, cidade ucraniana que recebeu pessoas desabrigadas por conta do acidente - cerca de 350 mil deixaram suas casas para trás, fugindo da radiação. Na Capital da Ucrânia, Kiev, o presidente Viktor Yushchenko compareceu a uma missa em homenagem às vítimas do acidente.
A tragédia, que durante três dias foi mantida em segredo pelos soviéticos, resultou em milhares de mortes, desenvolvimento de cânceres, contaminação do solo e graves conseqüências psicológicas. Como os elementos liberados pela explosão demoram séculos para perder a radioatividade - 300 anos somente no caso do césio 137 -, as regiões mais afetadas continuam trabalhando para minimizar os efeitos da tragédia.
Contaminação
Entre 1992 e 2002, foram registrados 4 mil casos de câncer de tireóide em pessoas que, na época do acidente, tinham até 18 anos e moravam em Belarus, Rússia ou Ucrânia.
Como esse tipo de doença é raro entre jovens, estima-se que ele tenha sido causado pela grande incidência de iodo-131, liberado com o vazamento de Tchernobil. No caso específico das vítimas de Chernobyl, a tireóide - que tradicionalmente retém iodo da corrente sangüínea - passou a acumular uma quantidade maior deste elemento do que deveria.
Daí o surgimento do câncer nas pessoas que moravam (ou ainda moram) nas regiões afetadas. Além de contaminar os seres humanos pelo ar, os elementos radioativos podem entrar no corpo levados por água, leite e alimentos.