Nepal - O rei Gyanendra do Nepal designou ontem Girija Prasad Koirala, presidente do principal partido de oposição, o Congresso Nepalês, como primeiro-ministro do país. Também nesta quinta-feira, grupos rebeldes maoístas confirmaram um cessar-fogo de três meses e se comprometerem a trabalhar com o novo governo.
No início desta semana, o rei, após anunciar que entregaria o poder do governo ao povo (ele governou o Nepal sozinho por mais de um ano) e ficar enfraquecido, enfrentou novos protestos nas ruas da capital Katmandu, que levaram dezenas de milhares de pessoas às ruas, deixaram 15 mortos, milhares de feridos (devido à repressão policial), e forçaram o rei a optar pela restauração do Parlamento.
Koirala, 84 anos, foi recomendado unanimemente pelos líderes da aliança dos sete partidos depois de três semanas de manifestações. A aliança de partidos que promoveu os protestos anunciou anteontem que a primeira tarefa do Parlamento nepalês será convocar eleições para uma Assembléia Constituinte, uma das antigas reivindicações da guerrilha.
Também devem reformular a Constituição, que deverá delimitar o papel da monarquia no país. A guerrilha maoísta começou o levante armado em 1996 para conseguir o estabelecimento de uma república de caráter comunista no Nepal e, desde então, mais de 13 mil pessoas morreram por causa da violência no país.
Crise
Durante um longo período de sua história, o Nepal foi comandado por governos absolutos. Em 1990, o país se tornou uma monarquia constitucional. No entanto, desde 1996, há intensa ação da guerrilha maoísta, que tenta derrubar a monarquia para instituir um regime socialista. Em junho de 2001, o príncipe Dipendra promoveu um massacre no palácio real, matou seus pais e primos e tentou se matar em seguida. Mesmo internado e em estado de coma, ele foi proclamado rei.
Em 4 de junho, após sua morte, seu tio Gyanendra assumiu o trono. No ano seguinte, o novo rei demitiu o primeiro-ministro e seu gabinete por “incompetência”, depois de eles terem dissolvido o Parlamento e não conseguirem realizar eleições devido à insurgência. Em junho de 2004, Gyanendra reinstalou um primeiro-ministro, que formou um governo de coalizão com outros quatro partidos.
Oito meses mais tarde, dizendo-se “insatisfeito” e “preocupado com a segurança” do Nepal, o rei Gyanendra dissolveu o Parlamento e declarou estado de emergência (o que desencadeou a prisão de líderes de partidos). O monarca vinha governando o país sozinho desde 1 de fevereiro de 2005.