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Dalai Lama faz auto-desmistificação

Por Diógenes Muniz | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - “Se vocês vieram aqui com a expectativa de que o dalai lama possua algum tipo de poder, bem, isso é uma bobagem”. Foram estas as palavras iniciais de Tenzin Gyatso, 70 anos, o dalai lama, líder máximo do budismo, no seminário ministrado ontem em São Paulo, no Palácio das Convenções do Anhembi (zona norte). Considerado por sua religião como a própria reencarnação de Buda, Gyatso falou sobre a relação de sua crença com a ciência e a educação para mais de 2.500 pagantes.

A pedido de Gyatso, as luzes da platéia ficaram acesas, para que ele pudesse “olhar nos olhos de cada um” enquanto falava. Mas nem todos que pagaram viram o monge presencialmente. Algumas pessoas desembolsaram R$ 70,00 para assistir ao evento via telão ou telas de plasma colocados em três auditórios menores do Anhembi - quem pagou R$ 120,00 viu dalai lama de perto. O evento teve também a presença de pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e de José Gregori, ex-ministro da Justiça e presidente da Comissão Municipal de Direitos Humanos de São Paulo. Na palestra, o mestre tibetano fez questão de se destituir de alguns valores.

“Não sou dotado de poderes miraculosos e sou muito cético quanto a isso.” Ele comentou também a “aproximação da ciência com a religião”.

“A ciência de hoje não é a mesma de anos atrás, ela está cada vez mais próxima da espiritualidade”, afirmou. Gyatso também falou de política, mostrando-se bastante otimista quanto à conjuntura internacional. “Ainda que tenhamos começado o século 21 de forma conturbada, acredito que este será o século do diálogo”, disse. Por fim, o mentor do povo tibetano criticou o hedonismo, dizendo ser “impossível pensarmos apenas no prazer a curto prazo”.

Ajudante evangélico

Logo que apareceu em público ontem, por volta das 10h, o dalai lama Tenzin Gyatso, dirigiu-se à borda do palco. Cerca de 20 pessoas se aglomeraram na tentativa de tocar em sua mão - poucas conseguiram. Curiosamente, o brasileiro que ficou mais próximo do líder budista durante o seminário é um evangélico: Maurício Magno, 27 anos, responsável pelos microfones que o dalai lama usa para se dirigir ao público desde que chegou ao Brasil.

Magno é quem arruma a aparelhagem na roupa do religioso e coloca o pequeno fone em seu rosto. Até mesmo quando o septuagenário sente “uma pequena coceira atrás da cabeça”, Magno se prontifica a arrumar a fiação, evitando incômodos.

“É um trabalho muito cuidadoso e tenso, afinal ele é uma santidade”. Só para “microfonar” o dalai lama, ele precisou de treinamento especial e dois dias de leitura sobre budismo.

“Somos uma equipe de 16 pessoas, e eu fui escolhido para esta função”, conta. O paulistano diz que, apesar de não acreditar em reencarnação, sente “uma paz muito grande” quando está perto do líder tibetano.

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