Auto Mercado

Fusão de ambições

Por Marcelo Ferrazoli | Com Auto Press
| Tempo de leitura: 3 min

O bom desempenho obtido no Brasil nos últimos anos está devolvendo a autoconfiança à Ford. Tanto que a montadora americana não se contentou apenas com as boas vendas entre os modelos compactos, como Fiesta e EcoSport, e decidiu brigar em segmentos superiores. Tanto que a Ford lançou por aqui, no início da semana - o AutoMercado & Cia esteve presente no evento - o Fusion, um sedã médio-grande com desempenho consistente, visual cheio de personalidade e com boas doses de equipamentos e requinte.

A Ford tem mesmo um ótimo argumento para acreditar no sedã: o preço. Além da providencial ajuda dada pela baixa cotação do dólar, a montadora se valeu do acordo de isenção de impostos de importação que o Brasil tem com o México, de onde o modelo é importado. Daí a única versão que virá do Fusion sair por cerca de R$ 80 mil - R$ 85 mil com teto solar.

Com esse preço, a Ford quer roubar compradores principalmente do Chevrolet Vectra Elite, da arquiinimiga General Motors, que custa pouco mais de R$ 89 mil; do Honda Accord 2.0 16V, que sai por R$ 86 mil; e do Peugeot 407, a R$ 94 mil.

O conteúdo também é outro argumento da Ford para atrair compradores. O Fusion chega ao Brasil com ar-condicionado eletrônico, trio elétrico, banco do motorista com ajustes elétricos, volante com regulagem de altura e profundidade, seis airbags, cruise-control, rádio/CD player com leitor de MP3 de altíssima fidelidade, interior todo em couro, alarme, imobilizador do motor, comandos do som no volante, sensor de luz, imponentes rodas com aros de 17 polegadas, freios com ABS e EBD e câmbio automático de cinco marchas, sendo a última um overdrive, que opera em giros bem baixos.

Sob o capô, o Fusion vai valer-se no Brasil de um motor Duratec quatro cilindros 2.3 litros 16 válvulas de 162 cv de potência, unidade que é uma evolução do 2.0 litros do Mondeo. Como trata-se de um carro para ser conduzido com civilidade - muitas vezes pelo motorista do executivo -, o conjunto é até coerente com suas pretensões. Esportividade, mesmo, só com o motor V6 3.0 de 221 cv, que é vendido nos Estados Unidos, mas que não virá para cá.

A Ford diz, também, que o Fusion atrairá compradores por superar os adversários em alguns quesitos. A potência do motor, por exemplo, é maior que as de Vectra e Accord e seu porta-malas leva 530 litros, estratégicos quatro litros a mais que o Vectra e bem mais que os 446 litros do Accord. Em compensação, com seus 4,83 metros de comprimento, é 2 centímetros mais comprido que o Accord e 22 centímetros mais comprido que o Vectra. Com dimensões generosas, bom “recheio” e uma “embalagem” atraente e cheia de personalidade, não são poucas as chances do Fusion corresponder às expectativas da Ford.

Dirigido pelo AutoMercado & Cia, as primeiras impressões transmitidas pelo Fusion demonstram que ele tem potencial para incomodar seus concorrentes. A começar pelo interior, que conta com ótimo nível de acabamento e espaço para os ocupantes e, principalmente, o motorista. Este, aliás, desfruta de uma agradável posição de dirigir, muito facilitada também pelas regulagens elétricas do banco e manuais do volante. Para completar, a ergonomia merece elogios em virtude da boa posição dos comandos internos.

Já na hora de assumir o volante, o Fusion mantém-se coerente com sua proposta de sedã comportado, seguro e confortável. Tem motor de sobra para rodar com agilidade no trânsito urbano e “deslizar” suavemente na estrada em velocidades “de cruzeiro” entre 100 km/h e 120 km/h. E, na hora de ultrapassar, mesmo com o câmbio automático, exibe vigor e dinamismo suficiente para executá-la com rapidez e sem sustos.

Por fim, segundo a montadora, o modelo acelera de zero a 100 km/h em 9,5 segundos e atinge velocidade máxima de 190 km/h.

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