Um estudo desenvolvido pela Pontifícia Universidade Católica em parceria com a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo revela que dentre as poluições, a sonora ocupa o terceiro lugar na preocupação do paulistano. Em primeiro lugar está a poluição do ar, seguida da água. Em quarto lugar aparece a poluição do solo e, em quinto, a visual.
A pesquisa que escolheu o Parque do Ibirapuera como cenário e entrevistou 300 pessoas de ambos os sexos com idade entre 14 e 86 anos foi dividida em duas partes: uma com entrevistas com os moradores da região - Moema, Vila Mariana, Paraíso e Nova Conceição - e outra com os freqüentadores do parque. Segundo Ana Cláudia Fiorini, doutora em saúde pública da Universidade de São Paulo (USP) e professora da PUC, 99% dos entrevistados consideram a cidade de São Paulo muito barulhenta. “Quando perguntamos o período mais barulhento, 81% deles disseram que a cidade nunca silencia”, analisa.
O tráfego de veículos, as construções, os aviões e os helicópteros foram considerados as principais fontes de ruídos. “Os entrevistados apontaram essas fontes como sendo as principais”, conta. Já com relação ao Ibirapuera, os entrevistados pensam diferente. “Eles não consideram o parque barulhento com exceção dos pontos próximos às avenidas”, afirma.
Só 62% dos entrevistados sabem os principais sintomas que os ruídos podem causar a saúde. “O primeiro deles é o incômodo, seguido de intolerância, dor de cabeça, alteração no sono, tontura, zumbido e diminuição da audição”, enumera.
Fiorini, que também é diretora da Academia Brasileira de Audiologia e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Acústica, ressalta que o estudo mostra que há ruídos até na maior área verde da cidade. “No parque é possível encontrar ruídos acima do permitido”, frisa.
O projeto, de acordo com ela, faz parte de um objetivo maior do que simplesmente avaliar o incômodo sofrido pela população. “Ele teve como objetivo criar oficinas de educação ambiental com a população para que ela seja esclarecida sobre os seus direitos, sobre a legislação brasileira, que é ótima para ruído, mas que por falta de fiscalização não tem efeito prático”, completa.