O sr. Benedito S. Guedes de Azevedo, em sua participação de 27/4 nesta tribuna, me deixou sem entender sua posição, pois em artigo com o título de não julgueis faz uma defesa da Igreja Catolica Americana, e narra que em 30 anos na América frequentando igrejas catolicas “nunca presenciou escandalo sobre pedofilia” e nos induz a imaginar que as notícias sobre pedofilia na igreja catolica dos USA são invenção da Rede Record. Sobre isto, vamos esclarecer alguns fatos; primeiro a igreja americana, principalmente a arquidiocese de Boston, é ré confessa. Portanto, neste caso não se trata de julgar, mas de constatar, e isto tem sido amplamente divulgado por todos os meios de imprensa. Em segundo, a grande falha da liderança da igreja nos USA foi exatamente não causar escândalo, acobertando os casos, e jogando a sujeira para baixo do tapete (o que, felizmente, está sendo corrigido com a atual postura da liderança católica), o que pode levar a fiéis como o sr. Benedito nem mesmo notarem o que acontecia, pois o que acontecia não era nas missas e alguns casos somente foram revelados por estes na época meninos, depois de adultos.
Quero deixar claro que não sou fiel da Igreja Universal, nem tenho qualquer vínculo com ela ou com a Record, inclusive mantenho sérias resistências a algumas de suas práticas, no entanto, citar um caso como este de um pastor dela e comparar com o de padres catolicos é no minimo desconsiderar a estatística de centenas de casos confirmados de padres, inclusive na nossa vizinha Agudos, e, infelizmente, também de alguns pastores. Esta estatística, segundo alguns analistas, estaria ligada a anacrônica política de celibato da Igreja Católica, colocando nas costas de sacerdotes desnecessariamente o fardo de não constituirem família, cumprindo o multiplicar-vos, de Deus.
Gostaria de deixar para o irmão e sua reflexão a sugestão de que possamos realmente tirar a trave de nosso olho de Cristãos e livrar nossos pequeninos deste mal, e que entendendo que somos um só corpo em Cristo e que não devemos em nenhum momento julgar nosso irmão, nem mesmo se ele for da Universal, catolico ou evangélico, pois não creio que por estas qualificações deveremos ser vistos por Deus de forma diferente.
Márcio M. Carvalho - RG 7.778.792