Bairros

Bauru noturna

Rafael Tadashi
| Tempo de leitura: 3 min

A noite, em qualquer lugar do mundo, é um enigma, é inspiradora, é solitária, é alegre, traz inseguranças, prazer e dor. A noite bauruense não é diferente. Caminhando pelos bairros, é possível encontrar muitos trabalhadores, pessoas comuns fazendo caminhada, ruas escuras onde o medo da violência é constante e outros personagens e fatos que só acontecem quando o sol se põe.

Para muitas pessoas, o período noturno remete à idéia de lazer. Nas avenidas da cidade, trabalhadores recém-saídos do serviço trocam a roupa formal por vestes mais confortáveis e saem para exercitar os músculos. Alguns, mais inseguros com relação à violência ou simplesmente por conta da socialização, freqüentam academias de ginástica.

Caso da universitária Solange Dias, 25 anos, que vai à academia todos os dias pontualmente às 21h. “Faço aulas de natação com mais algumas amigas. Estudo em período integral, volto para casa, faço os trabalhos da faculdade e venho para a academia. É um ótimo horário para fazer exercícios e é o único que eu tenho disponível também”, diz.

De acordo com o empresário Miguel Curi Mauad, proprietário de uma academia, a tendência é que os horários sejam estendidos cada vez mais, pois há público para além das 22h, horário de fechamento da maioria das academias em Bauru.

Apesar da grande demanda por práticas de exercícios no período noturno, nenhuma atividade supera, em termos de lazer, uma boa degustação gastronômica pelos bares, lanchonetes e restaurantes da cidade. Em parte, o bauruense tem o hábito de freqüentar este tipo de estabelecimentos pela falta de opções quando o assunto é entretenimento e lazer.

Valdenir Sanvezzo, proprietário de um restaurante, só abre seu estabelecimento ao público após as 20h e, em dias úteis, fecha por volta da 1h. Já nos finais de semana, o trabalho se estende até as 5h. “Os bauruenses apreciam a vida noturna e têm o costume de ir a bares e restaurantes mais no período noturno”, expõe.

Se há público para consumir, precisa haver pessoas servindo. É justamente aí que entram os garçons, profissionais que, assim como vigias, porteiros, motoristas e mototaxistas, têm turnos à noite.

Para trabalhar nestes turnos, é necessário que o organismo se acostume, porque os trabalhadores noturnos têm horários exatamente contrários à maioria das pessoas. Além do relógio biológico, é preciso que a família também se habitue.

“Gostaria de ter mais contato com meus filhos e com a minha esposa, dar mais atenção, mas preciso trabalhar. E de noite ganho um extra pelo adicional noturno. É um sacrifício que todos fazem junto comigo”, ressalta o vigia Edilson Moura Felipe, 44 anos.

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Bauru soturna

Não é só de entretenimento, exercícios e trabalho que a noite bauruense é feita. Aliás, estas atividades também ficam, muitas vezes, comprometidas pela deficiência de iluminação pública em diversos bairros. Apesar de ter cerca de 32 mil pontos de luz e gastar aproximadamente R$ 420 mil mensais com iluminação, a Secretaria Municipal de Obras reconhece que alguns bairros, como Tangarás e Jardim Nicéia, têm iluminação extremamente precárias.

A Secretaria Municipal de Obras informou ao JC que tem um cronograma de prioridades para instalação de 1.000 novos pontos de luz e a substituição de 8 mil lâmpadas de vapor de mercúrio por lâmpadas de vapor de sódio, que garantem melhor luminosidade.

A precariedade de iluminação compromete, além das atividades de lazer, a integridade física e os bens materiais da população. De acordo com o comandante da 1ª Companhia da Polícia Militar, capitão Jorge Duarte Miguel, os pontos que têm deficiência de iluminação são vistos pelos criminosos como boas oportunidades para a prática de crimes e delitos.

O autônomo Lúcio Benigres Souza, 32 anos, morador do Jardim Nicéia, conta que já foi assaltado duas vezes quando voltava para casa à noite e que seu irmão, João Benigres Souza, levou uma facada no braço esquerdo depois de discutir com um grupo de rapazes que consumia entorpecentes em um terreno baldio do bairro. “Talvez se tivesse uma iluminação boa eu não tinha sido assaltado, porque as duas vezes foram em ruas bastante escuras”, lembra.

A noite bauruense tem diversos aspectos positivos e negativos, e o JC nos Bairros foi às ruas em busca destas histórias e personagens.

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