Reservar dinheiro enquanto jovem pode ser sinônimo de uma aposentadoria mais segura e, sobretudo, confortável financeiramente. Poupar 15% do salário todo mês pode fazer a diferença quando chegar a hora de “pendurar as chuteiras”. E o quanto antes esse procedimento for adotado, melhor. É que orienta o gerente financeiro e economista Carlos Eduardo de Oliveira. “Quanto mais cedo, menos recursos precisarão ser disponibilizados mensalmente”, destaca.
No entanto, o brasileiro parece não dar muita importância a esse projeto, mesmo a maioria esmagadora dos aposentados sendo obrigada a não parar de trabalhar em razão do baixo salário que recebe, hoje calculado em R$ 350,00 - valor do salário mínimo.
Estudo elaborado pela Universidade de Oxford e encomendado pelo banco HSBC ao Harris Institute revelou que somente 24% dos brasileiros poupam ou já pouparam dinheiro pensando no futuro. Foram ouvidas 20 mil pessoas e 6 mil empresários no mundo. O Brasil ficou atrás, por exemplo, dos indianos (31%) e mexicanos (34%), que mostraram maior preocupação com o “amanhã”.
Oliveira acredita que o ideal seria começar a guardar dinheiro, com vistas à aposentadoria, ainda na infância. “O melhor mesmo seria poupar desde quando recebemos a primeira mesada, assim como o norte-americano, que tem o costume de fazer essa reserva desde criança. Os pais criam esse hábito entre os filhos ainda nesse período, o que é muito importante”, completa.
O gerente financeiro também avalia que a maioria dos brasileiros não tem a cultura de juntar recursos, mas de gastar, inclusive o “dinheiro que não tem”, através das conhecidas prestações. É a famosa história de comprometer o futuro para desfrutar o presente.
Planejar a aposentadoria é mais importante que juntar dinheiro, considera Oliveira, referindo-se à necessidade que muitos aposentados têm de continuar no mercado de trabalho para se sustentar por conta do baixo rendimento que recebem ao encerrar a vida profissional.
No entanto, ele sugere que, antes de começar a fazer a reserva de capital, é necessário saber que tipo de vida pretende-se levar quando a aposentadoria chegar. Para isso, o gerente sugere montar um orçamento familiar, relacionando as receitas e despesas existentes. Havendo sobra, a pessoa não deve pensar duas vezes em aplicá-la numa poupança.
R$ 30,00 ao mês
Há um ano e meio, a autônoma Maria Heleni Fernandes, 38 anos, deposita em média R$ 30,00 por mês numa conta poupança. Ela diz que adotou o procedimento por almejar uma aposentadoria mais “gorda” quanto tiver que parar de trabalhar. Atualmente, sua reserva de capital já soma mais de R$ 500,00. O resgate do montante, segundo ela, deve ser feito somente após completar 60 anos de idade.
“Tem mês que guardo mais, outro menos. Varia muito conforme minha situação financeira. Na verdade, essa preocupação com a aposentadoria também serve como pretexto para eu ter minha poupança”, diz.
O capital investido na fonte de rendimento, segundo ela, corresponde à sobra das economias obtidas nas contas de luz, água e do supermercado. “Cortei esses gastos excessivos para sobrar grana e poupar”, conclui.
Dariane Aparecida da Silva, servidora pública, não adota a mesma prática de Fernandes, e admite que deveria se preocupar mais com seu futuro.
“Infelizmente, não guardo nada do meu orçamento, isso acaba ficando para segundo plano devido aos muitos gastos que tenho. Tenho consciência de que eu precisaria dar mais atenção a esse aspecto. Vamos ver, daqui para frente, se consigo”, completa.
Segundo especialistas, sempre é possível enxugar gastos extras se o orçamento for devidamente analisado.