Houston - A Petrobras informou ontem, por intermédio de sua assessoria de imprensa, que não vai se retirar da Bolívia, onde mantém, desde 1994, investimentos que, agora, são avaliados em mais de US$ 1 bilhão.
A empresa brasileira representa 20% dos investimentos diretos na Bolívia e responde por 24% da arrecadação de impostos do país.
A Assessoria da Petrobras não forneceu detalhes sobre como serão as negociações com o governo boliviano nem sobre os impactos da decisão do presidente da Bolívia, Evo Morales, de nacionalizar o setor de gás e petróleo.
O diretor de Exploração e Produção da estatal, Guilherme Estrella, disse ontem que “não há razão para ter medo’’ de desabastecimento de gás, já que “há um interesse comum” entre os dois países. “O Brasil precisa do gás, mas a Bolívia necessita receber o pagamento. Temos 180 dias para negociar e chegar a um acordo.”
Apesar disso, ele disse que a empresa “tem de estar preparada [para a interrupção no fornecimento], mas essa é uma possibilidade muito remota”. O maior temor é que um possível desabastecimento afete a indústria de São Paulo, onde as empresas são estimuladas desde o final dos anos 90 a converter as unidades para operar com gás natural em vez de óleo. Se na Bolívia o horizonte das reservas da Petrobras é incerto, a companhia prevê um futuro promissor nos Estados Unidos.
A Petrobras America, subsidiária da estatal brasileira, chegará a 2010 com reservas de petróleo de 300 milhões a 500 milhões de barris no Golfo do México, segundo Renato Bertani, presidente da companhia instalada nos EUA.