Pesca & Lazer

História de pescador: Um banho gelado e inesperado


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Temos um bote que fica guardado na fazenda em Quilombo e, de vez em quando, atrelamô-lo no reboque e vamos pescar, ou em Cambaratiba ou em Borborema, no vasto caudal do nosso glorioso rio Tietê. Certo dia, num desses meses de inverno, o meu genro Carlos veio de Rio Preto passear nestas plagas e acertamos uma pescaria que se desenvolveria até à noite, horário mais propício a se fisgar os exemplares de couro. Fomos lançando as linhadas aqui e ali para capturar alguma curvina e aguardar a noite para tentar fisgar exemplares maiores.

Mais ou menos, lá pelas oito horas da noite, poitamos o bote a uns 30 metros da margem, onde o rio tem o canal e passamos a usar as varas com molinete e linha comprida com chumbada para atingir o fundo do rio. Aboletado na proa do bote, com quase todo o corpo bem no alto, lá estava eu na expectativa de uma bela puxada na vara que estava apenas apoiada sobre os joelhos. Eis que, inesperadamente, um peixe se fisgou e puxou violentamente a vara que foi parar dentro da água. No afã de segurar o molinete, pendi o corpo e enfiei a mão dentro da água e... não deu outra: emborquei, mas consegui agarrar a lateral do barco com uma das mãos e todo ensopado voltar à bordo. Como saímos durante o dia não nos preocupamos em levar mais roupas além das camisas e bermudas que estávamos usando. Meu genro me deu a sua camisa para vestir e lá fomos nós de volta para casa. Quando minha mulher veio nos encontrar para saber do resultado da pescaria e deu de cara com aquelas duas figuras tiritando de frio, com uma trouxa de roupa molhada em baixo do braço e meio sem graça pela peripécia, exclamou, como sempre ao se deparar com uma situação inusitada: Nããão acredito!

Walther Mortari é pescador e contador de histórias.

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