Parte do setor industrial de Bauru está prestes a aderir ao gás natural como fonte de energia para produção. As negociações estão mais avançadas entre empresas produtoras de baterias automotivas, embora as indústrias de alimentos também estudem a proposta com interesse.
O combustível será fornecido pela GásLocal, empresa formada pela Petrobras, que disponibiliza o produto, e a White Martins, maior distribuidora de gases industriais da América do Sul, responsável pela veiculação, comercialização e transformação do gás em líquido.
De acordo com Émerson Antônio Fuzetti, gerente de atendimento da White Martins, quatro empresas bauruenses devem fechar o negócio ainda neste mês e começar a receber o gás em junho. Em média, cada uma deve trabalhar com volume de 300 mil metros cúbicos (m3) do combustível por mês. O teto estimado é de 700 mil m3.
Na região de Bauru, outras indústrias sinalizam interesse pelo produto. É o caso de fábricas do ramo alimentício em Marília, que já começam a receber o gás na segunda quinzena deste mês, e de algumas cerâmicas de Barra Bonita e Igaraçu do Tietê.
Segundo Fuzetti, o combustível será vendido abaixo de R$ 1,50 o m3. “O preço é intermediário. O gás natural fornecido a granel é mais caro devido à forma de entrega, que ocorre por transporte rodoviário. Na aquisição pelo gasoduto, que exclui a necessidade do transporte por caminhões e nem precisa modificar o estado do produto (de gasoso para líquido), o custo é menor”, explica o gerente.
Ainda segundo ele, o combustível que abastecerá Bauru e região será trazido de Paulínia, onde foi construída uma distribuidora da GásLocal. O produto será transportado na forma líquida, através de carretas tubulares, e armazenado em tanques criogênicos (grandes cilindros de aço) nas indústrias. Fuzetti também explica que atualmente os caminhões conseguem fazer o transporte de maior quantidade do combustível porque, ao ser alterado seu estado de gasoso para líquido, seu volume diminui em torno de 600 vezes.
A GásLocal, diz Fuzetti, tem o objetivo de incentivar a utilização do gás natural nas regiões que ainda não são abastecidas por gasoduto.
Além do Interior de São Paulo, os Estados de Minas Gerais, Goiás e o município de Brasília, no Distrito Federal, também começarão a receber o gás pela empresa. Em todo País, são 10 milhões de m3 do produto distribuídos por mês.
Sem riscos
A crise comercial gerada entre o Brasil e a Bolívia - além de outros países como Argentina e Venezuela -, após o país vizinho ter adotado a nacionalização das reservas de recursos naturais, não deve oferecer riscos às empresas brasileiras que dependem do gás natural. Fuzetti adianta que, segundo a Petrobras, não haverá falta do combustível pelo menos a curto e médio prazos. A mesma tendência vale para o preço do gás natural, que não deve sofrer reajuste.
“A posição que nos é passada é de que não há riscos de falta de gás, assim como de aumento do valor. Todos os contratos que já estão em vigência regulam os preços, portanto, seria ilegal violar esses documentos. Todas as negociações baseadas nos contratos serão respeitadas”, completa o gerente da White Martins.
A distribuição do gás natural em Bauru neste ano já era prevista pela Prefeitura Municipal. Walace Sampaio, secretário de Desenvolvimento Econômico, informou em outubro do ano passado, após encontro com um representante da Gás Brasiliano, que a empresa teria até o início de 2008 para substituir o transporte rodoviário do produto pelo ramal de rede ligando Araraquara a Bauru (via gasoduto).
A Gás Brasiliano é a concessionária responsável pela distribuição do gás natural, oriundo da Bolívia, na área Noroeste do Estado de São Paulo, que abrange as regiões de Bauru, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto e Araraquara, até as fronteiras com os Estados do Paraná e Minas Gerais.
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Diferenças
O gás de cozinha, denominado gás liqüefeito de petróleo (GLP), é um produto derivado do refino do petróleo. Ele é formado por hidrocarbonetos, que são compostos químicos constituídos por átomos de carbono e hidrogênio.
Já o gás natural é um combustível fóssil encontrado em rochas porosas no subsolo, podendo estar associado ou não ao petróleo. Sua formação resulta do acúmulo de energia solar sobre matérias orgânicas soterradas em grandes profundidades, do tempo pré-histórico, devido ao processo de acomodação da crosta terrestre. É composto por gases inorgânicos e hidrocarbonetos saturados.
Geralmente, apresenta baixos teores de contaminantes como o nitrogênio, dióxido de carbono, água e compostos de enxofre. O gás natural permanece no estado gasoso sob pressão atmosférica e temperatura ambiente.
Mais leve que o ar, dissipa-se facilmente na atmosfera em caso de vazamento. Para que se inflame, precisa ser submetido a uma temperatura superior a 620ºC. Além disso, é incolor e inodoro, queimando com uma chama quase imperceptível.
A principal vantagem do uso do gás natural é a preservação do meio ambiente. Além dos benefícios econômicos, é um combustível não poluente. Sua combustão é limpa, razão pela qual dispensa o tratamento dos produtos lançados na atmosfera.