Muitos bauruenses estão preocupados com a polêmica da nacionalização das reservas de recursos naturais da Bolívia e, por isso, estocando gás liqüefeito de petróleo (GLP) - ou gás de cozinha, como é popularmente conhecido - em casa.
Entretanto, o que muita gente não sabe é que o gás natural e o GLP são combustíveis distintos. O gás de cozinha é derivado do petróleo, portanto, não sofre nenhum tipo de alteração ou risco com o problema comercial entre Brasil e Bolívia envolvendo a distribuição do gás natural.
Quem ganha com essa confusão são as distribuidoras de GLP, que já contabilizam aumento de até 30% nas vendas. Francisco Carlos de Góis, gerente de vendas de um depósito de gás em Bauru, diz que a procura pelo produto tem crescido 15% desde que o impasse entre os dois países começou.
“As pessoas estão mal informadas por conta da imprensa em geral ainda não ter explicado claramente que o gás natural e o de cozinha são coisas distintas. Os clientes estão comprando por medo de haver racionalização do produto, o que a gente sabe que não vai ocorrer justamente porque não tem nada a ver uma coisa com a outra”, observa.
Em outra distribuidora da cidade, a demanda de consumidores também aumentou significativamente desde o início da semana. As vendas cresceram cerca de 30% segundo o funcionário do local, Fábio Rossi.
“Os clientes, que antes levavam um botijão, agora estão ficando com dois. Está todo mundo estocando gás em casa com medo do produto faltar”, conta Rossi. Ainda de acordo com ele, entre terça-feira e ontem foram comercializados 100 botijões, sendo que a média normal, em dois dias, é de vender entre 50 e 60 unidades. Atualmente, o botijão de GLP em Bauru é comercializado na faixa de R$ 30,00.
O armazenamento de gás de cozinha em residências, além de proibido por lei, pode causar sérios riscos de segurança. A tenente do Corpo de Bombeiros de Bauru, Luciana Soares, informa que o acúmulo de botijões facilita o vazamento de gás e, conseqüentemente, uma eventual explosão. Segundo ela, o consumidor pode ter dentro de casa até duas cargas do combustível.
“Ninguém deve acumular botijão de gás, porque as possibilidades de vazamento e incêndio aumentam. Apenas os locais de revenda são autorizados a estocar”, orienta a bombeira.
Soares também ressalta que os botijões devem ser mantidos fora da cozinha, preferencialmente em local arejado, protegido da luz do sol e da chuva.