Tribuna do Leitor

Acontecimentos que chateiam


| Tempo de leitura: 2 min

Fico imaginando, às vezes, que a longevidade dos matutos analfabetos se deve pelo menos em parte à sua marginalização da informação. Consomem células nervosas e trazem sérios comprometimentos hepático-neurológicos saber o que se passa pelo mundo afora. E adentro também. Senão vejamos: quem não fica aborrecido ao abrir o jornal e saber que: 1) As cifras da corrupção no Brasil chegam às raias das dezenas de bilhões de reais... por ano. Dizer que “o Brasil não vai pra frente porque tem muita gente roubando” deixou de ser um diagnóstico simplista emitido à mesa do cidadão comum. É uma verdade que nossos honrados homens públicos não aceitam discutir. 2) Num lugar qualquer veio à tona o putrilhardésimo caso do “religioso que abusava sexualmente de meninos da comunidade”. Conforme sinopse mais do que conhecida desse filme, claro que o “doente” já foi providencialmente “expulso da comunidade”. 3) Um conhecido político paulista, hóspede da Polícia Federal durante várias semanas, acusado de manter milhões e milhões de dólares na Suíça pode se beneficiar pela idade. Já existe até um cronograma prevendo que terá 85 anos quando todos os recursos se esgotarem. 4) Agora, até algumas ONGs são acusadas de “desviar recursos”. Favorecem-se de verbas governamentais, sem o devido destino. “De boas intenções, o inferno está cheio”, já diziam nossos hexavós. 5) O PT, que antes queria CPI até em compra de esparadrapo para posto de saúde de periferia, agora mobiliza seus correligionários para barrar todas as denúncias contra os “colaboradores” de seu governo. 6) Ser professor do ensino fundamental não é lá profissão das mais gratificantes. Se trabalha em escola pública, o mestre tem enormes chances de se deparar com alunos que ali estão mais interessados na merenda do que nas aulas. É de irritar qualquer Dalai Lama ou Mahtma Gandhi seu desinteresse pela palavra do professor. Querem ser pagodeiros ou jogadores de futebol, e isso não passa exatamente pelo vestibular. Se trabalha em escola particular, terá boas chances de ter de aturar “patrõezinhos” malcriados, cujos pais se lembraram de lhes ensinar a gostar de musse de chocolate, tênis importado, celular de última geração, mas se esqueceram de lhes ensinar noções mais elementares de urbanidade, entre as quais respeitar o idoso, o deficiente físico e o professor. Os donos das escolas? Alguns destes, por sua vez, nas reuniões com os professores, dão a entender ou avisam em alto e bom som que os alunos são clientes. E o cliente sempre tem razão. 7) Pontos do Rio de Janeiro e São Paulo já se tornaram praças de guerra. Em países de massas ignaras, onde os políticos precisam do voto do delinqüente, é assim: acham inofensivo e até uma “manifestação de cultura” o tiranossauro saindo da casca do ovo. Depois, quando o réptil rapaz está com seis metros de altura e oito toneladas querem refrear sua fúria com estilingadas de mamona. Haja saco!

Sidnei Rodrigues

Comentários

Comentários