Tribuna do Leitor

Os céus de Bauru


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Estes foram tempos em que a cidade de Bauru olhou literalmente para cima, em direção aos céus. Numa quarta-feira de manhã, há duas semanas, por causa da visita do secretário estadual dos Transportes, Dario Rais Lopes, que veio inaugurar “mais ou menos” o novo aeroporto. Chegou voando, aterrissou no aeroporto velho (aeroclube), com toda a segurança e, depois do dilúvio que caiu sobre a cidade, chegou triunfante num pequeno avião cor de laranja para falar com os encharcados repórteres.

Falou bem sobre a importância da obra para a nossa região, principalmente frisando as potencialidades do transporte intermodal, ou seja, da operacionalização dos sistemas de logística para que sejam usados conjuntamente e planejadamente a hidrovia Tietê-Paraná, o novo aeroporto, as rodovias e as ferrovias (se ainda existissem mesmo).

Ele tem razão. O transporte intermodal é ágil e muito mais barato do que focar apenas as rodovias. E os caminhoneiros não perderão o emprego, como muitos sindicatos dizem por aí, apenas não vão ter que sair de Bauru e ir até Manaus carregando couve-flor, por exemplo, pois estarão transportando as mesmas entre o porto e o aeroporto, ou entre o produtor e a estação ferroviária mais próxima.

Só não deu para entender para que a pressa! O aeroporto não está pronto. A estrada de terra que leva até ele é intransitável. Contei três carros atolados tentando voltar para Bauru e fui informado por funcionários da construtora (Leão e Leão, diga-se de passagem) sobre a licitação para a construção da estrada: começa neste mês, lá pelo dia 19 de Abril, bem no dia do índio. Até lá, só eles (os índios) conseguirão chegar ao aeroporto, pois não usam veículos de quatro rodas. Caminhão, nem em pensamento passa por lá na chuva, e o aeroporto é destinado à carga! Os dois barracões que estão de pé não foram suficientes para conter a chuva. A água entrou mesmo dentro das salas fechadas. Mas tudo bem. Temos que pensar para frente, para além das eleições, e depois delas, um dia, o aeroporto servirá a todos.

Na mesma quarta-feira à noite foi a vez do astronauta Marcos Pontes levantar vôo em direção ao espaço, do lado de um russo e de um americano. E nós, que crescemos ouvindo que russos e americanos se odiavam, observamos que as coisas mudaram. Não se sabe se para melhor. Mas foi bonito. O foguete russo, comparado a um carro, parecia um Dodge da década de 1960, mas funcionou e não explodiu, deixando nosso astronauta cumprir sua missão. Graças a Deus. E a Lênin.

Vamos esperar, então, que essas conquistas aéreas (aeroporto e astronauta) revertam bônus sinceros para a nossa cidade e para um mundo melhor. Que o sonho de voar, em ambas as situações, produza riquezas e fraternidade e não termine na decepção (perdoem-me a pieguice) que levou Santos Dumont à morte.

Luís Paulo C. Domingues

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