Articulistas

É preciso globalizar a solidariedade


| Tempo de leitura: 2 min

O pesquisador visitante do Instituto de Pesquisa da Ásia, da Universidade Nacional de Cingapura e colunista do jornal britânico “The Gardian” Martin Jacques fez uma lúcida análise sobre o fenômeno da globalização, enfocando alguns aspectos perversos da globalização, entre eles, o de “promover uma atitude menos respeitosa e mais intolerante no ocidente, certamente por parte dos Estados Unidos, em relação a outras culturas e religiões”.

O fato é que, com a globalização estamos vivendo uma espécie de novo totalitarismo, que se impõe como uma força cultural monolítica, um padrão único que vem forçando as diversas nações a pensarem e agirem do mesmo modo, desrespeitando assim a rica variedade cultural que sempre existiu na história da humanidade. Trata-se de uma “presunção ocidental”, mais especificamente norte-americana, cujo estilo de vida e valores vêm imperando e minando as demais expressões culturais do planeta, sufocando, digamos assim, as manifestações mais autênticas e qualquer alternativa criativa contra o modelo imposto.

Para Martin Jacques, “no âmago da globalização está um novo tipo de intolerância ocidental em relação a outras culturas, tradições e valores, menos brutal que na era do colonialismo, mas mais abrangente e totalitário. A idéia de que cada cultura tem sua sabedoria e suas características específicas, sua originalidade e singularidade (...) foi sufocada pelo clamor de que o mundo agora é um só, de que o modelo ocidental – mercados neoliberais, democracia e tudo mais – é o padrão para todos”.

No entanto, vamos percebendo a emergência das resistências, nas tantas formas de violência que explodem nas diversas partes do planeta. O que está em jogo é a preservação da identidade das nações, valor este que ninguém quer perder, em nome de uma “globalização impetuosa”, que não leva em conta as diferenças, criando uma falsa expectativa de que todos devam ser como os ocidentais.

É evidente que as reações apareçam por toda a parte, infelizmente muitas vezes com atos extremos. O próprio 11 de setembro fez parte dessa reação, e todas as ações do fundamentalismo político e religioso, do terrorismo e dos movimentos contestatórios. Paradoxalmente, num mundo quase globalmente democrático, vem prevalecendo a intolerância, a discriminação e a prepotência, na lógica do mais forte dominando os mais fracos, portanto, um sistema de gritantes injustiças.

Queremos uma globalização que leve em conta as diferenças humanas, o respeito pela diversidade, pela expressão cultural de cada nação. Uma globalização que realmente integre as pessoas numa comunhão de valores e não a que amplia “distâncias mentais”. Queremos que seja globalizado as conquistas da humanidade, os autênticos direitos humanos, com também a consciência do cumprimento dos deveres de cada um, para assegurar a dignidade da pessoa humana, em todas as circunstâncias.

O desafio hoje, portanto, é globalizar a solidariedade, para que haja vida para todos.

O autor, Valmor Bolan, é doutor em Sociologia, reitor da Universidade Guarulhos, vice-presidente do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras, e diretor geral da Faculdade Editora Nacional - e-mail> valmorbolan@faenac.edu.br

Comentários

Comentários