Argolas, placas e vasos de bronze estão sendo furtados dos túmulos do Cemitério do Jardim Redentor. Os vândalos, que pulam o muro, normalmente à noite, na dificuldade de retirar os objetos em bronze rapidamente, levam as tampas inteiras dos jazigos, deixando-os abertos. Dos 4.300 túmulos do cemitério, cerca de 10% estão depredados, calcula o administrador Celso Rubens Chermount.
Segundo ele, no cemitério não há cerca elétrica e os muros são de placas de pouco mais de um metro de altura, o que favorece a ação dos vândalos/ladrões. Mas a ação não se restringe aos túmulos. “Eles (vândalos) picharam a entrada do cemitério e furtaram até o botijão de gás e uma televisão dos funcionários”, conta.
Os pichadores não perdoaram nem mesmo o cruzeiro, local destinado a acender velas e orar pelos mortos. Para Chermont, uma das alternativas é as famílias dos mortos substituírem o bronze dos túmulos por outros materiais. “O bronze é um chamariz para os vândalos. Eles furtam para vender. Se não tivesse comprador, eles não se interessariam pelo material”, afirma.
Em média, os ferros-velhos de Bauru pagam R$ 3,00 pelo quilo do bronze, R$ 2,5 pelo quilo de alumínio, R$ 7,00 pelo quilo do cobre limpo e R$ 6,00 pelo quilo do cobre queimado. O administrador ressalta que os furtos são registrados no 4º Distrito Policial.
Mas Chermount admite que o cemitério está sem segurança. “O muro é baixo não tem cerca elétrica e nem vigia noturno”, frisa. O resultado da falta de investimento na segurança reflete na situação dos túmulos. As capelinhas estão sem vidro; as tampas dos túmulos, arrancadas e as peças de bronze são raras de serem encontradas. A aparência do local é de total abandono.
Localizado no bairro do mesmo nome, o cemitério fica a pouco mais de 100 metros da sede da Base Comunitária Sudeste. “Quando acionamos a polícia, ela demora a chegar”, comenta Chermount. Mas, segundo o comandante da base, tenente William Carlos Padovini, a polícia não é acionada. “O administrador nunca trouxe a problemática para nós. A PM não foi acionada desde que eu estou aqui”, argumenta.
O tenente ressalta que mesmo durante o dia há crianças e adolescentes no interior do cemitério soltando pipa e os funcionários, que estão trabalhando, permitem a permanência deles. O problema poderia ser solucionado se os moradores da região denunciassem, afirma. “Os moradores podem denunciar à polícia quando perceberem que há pessoas pulando o muro”, sugere Padovini.
O Cemitério Cristo Rei, localizado no Parque Roosevelt, há mais de três anos passou pelo mesmo problema, explica o gerente de cemitérios da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), José Tavares da Silva Martins. “Eu não sei porque os vândalos estão atacando menos o cemitério Cristo Rei agora”, comenta.
Os furtos, segundo ele, ocorrem em todos os quatro cemitérios da cidade administrados pela Emdurb. “Nos cemitérios São Benedito e da Saudade, o problema é menor. No Cristo Rei e Redentor, os furtos são mais constantes”, conta.
Taxa de manutenção
Para ele, a situação seria diferente se a Emdurb cobrasse taxa de manutenção dos túmulos. “Os munícipes não pagam taxa de manutenção e, sem essa verba, não temos como melhorar a segurança”, opina. Tavares ressalta que a instalação de cerca elétrica implica em muro de alvenaria com mais de dois metros de altura. “No Cemitério Redentor precisa primeiro fazer o muro porque o atual é confeccionado em placas”, lembra.
Os furtos, mesmo no Cemitério da Saudade, que conta com cerca elétrica, continuam ocorrendo. “No Cemitério da Saudade a situação foi amenizada e não resolvida. A cerca já foi cortada”, diz. Ele acredita que só um guarda armado poderia resolver o problema de segurança nos cemitérios.
“Não adianta cerca elétrica e nem guarda com cassetete. É preciso estar armado”, afirma. Tavarez recomenda que os funcionários não enfrentem os vândalos porque muitos deles estão armados, mesmo durante o dia.
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Só duas ocorrências
No 4º Distrito Policial, onde devem ser registrados os furtos ocorridos no Cemitério Redentor, existem apenas duas ocorrências neste ano, segundo o delegado titular do DP, Abel Cortez.
O primeiro caso foi registrado em 15 de março. “Foi o furto de chapas de alumínio de identificação dos túmulos e danos”, afirma. O segundo caso, registrado na última terça-feira, é do furto de argolas, destruição da tampa (do túmulo) e destruição da capela.
Cortez explica que o caso está sendo investigado. “Estamos tentando apurar a autoria, mas o município precisa aumentar a altura dos muros e, se possível, colocar cerca elétrica, obstáculos que dificultam a ação dos vândalos”, frisa.
Ele ressalta que o Cemitério da Saudade, por exemplo, resolveu problemas semelhantes depois que instalou cerca elétrica. “O muro é de mais de dois metros”, lembra.