“Adivinhe Quem Vem Para Rezar”. Espetáculo da realidade. Incursão pelo reservado universo masculino, compartilhada pelo público entre risos e lágrimas. Nos palcos, o seu mestre, o ator Paulo Autran, que ao lado de Cláudio Fontana, conduz com sensibilidade e humor a delicada relação entre pai e filho. Vindo de uma temporada de sucesso, a peça será apresentada hoje, amanhã e domingo no Teatro Municipal Celina Lourdes Alves Neves, com todas as sessões lotadas.
O texto, o primeiro do escritor paulistano Dib Carneiro Neto, chegou às mãos dos atores por e-mail e encantou pela originalidade. “O relacionamento entre pai e filho já foi muito abordado, mas esse enfoque do escritor é totalmente novo, o que resulta num espetáculo inteligente, engraçado e emocionante”, diz Paulo Autran em entrevista ao JC Cultura.
Para a direção, Autran convidou Elias Andreato, que havia dirigido o ator no recente “Visitando o Sr. Green”. Com figurinos de Cássio Brasil, trilha musical de George Freire e iluminação de Wagner Freire, a peça é uma comédia dramática, passada no interior de uma igreja, onde os personagens esperam o começo de uma missa de sétimo dia, cujo morto pode ser um deles, ou nenhum.
O cenário, de Ulisses Cohn, é todo ambientado por cordas e passa a idéia do sagrado, sem, no entanto, fazer conotações religiosas. “É um dos cenários mais bonitos que já tive. Um ambiente exato para a peça”, coloca Autran.
Nos palcos, Autran interpreta três papéis sem mudar de roupa, apenas modelando a voz: pai, amigo do pai (amante da mãe) e padre; enquanto Fontana dá vida ao filho, numa conversa em que ora participam pai e filho, ora dois homens trocando farpas infantis. “Faço um filho de 40 anos que carrega mágoas e traumas desde os seus 12 anos, e que tenta, naquele momento, acertas as contas com seu pai”, explica.
Há cerca de um ano em cartaz, o espetáculo lotou os teatros por onde passou, como aconteceu no Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, São José do Rio Preto e agora Bauru. “Nós acreditávamos no sucesso, mas nunca pensamos que seria sucesso”, diz Autran.
A convivência entre os atores resultou em troca de experiências e mais trabalho. Para 2007, ambos pretendem estrear “Funil do Brasil”, com texto de Sérgio Roveri, direção de Paulo Autran e produção de Cláudio Fontana. A peça é uma sátira ao programa “Big Brother Brasil.”
• Serviço
Apresentação de “Adivinhe Quem Vem Para Rezar” hoje e amanhã, às 21h, e no domingo, às 20h, no Teatro Municipal (avenida Nações Unidas, 8-9). Os ingressos estão esgotados. Mais informações: (14) 3235-1072 e 3214-3436.
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Teatro, cinema e televisão
Com pequenas participações na televisão - a última na minissérie “Hilda Furacão” -, trabalhos no cinema, incluindo o recente “A Máquina”, e mais de 90 espetáculos distribuídos em 55 anos de carreira e 83 anos de vida, Paulo Autran se posiciona como um homem do teatro. “O campo de atividade do ator é o teatro. Cinema é a arte do diretor e televisão é a arte do anunciante”, dispara.
Da sua longa trajetória, o ator acredita que o cinema brasileiro está na sua melhor fase e o teatro, em constante evolução, participando cada vez mais da cultura nacional. “Antes, uma peça de sucesso ficava no máximo dois meses em cartaz. Atualmente, o ‘Trair e Coçar é Só Começar’ está há 20 anos”, exemplifica. Para ele, o motivo da mudança está no público. “O telespectador tem o seu dia de inteligência: é o dia em que ele desliga a televisão e vai ao teatro”, diz em risos.
O amor pelo teatro também é compartilhado por Fontana, que ainda atua na televisão como meio de vivenciar sua paixão. “Teatro foi o que eu sempre procurei fazer na vida, mas eu ainda preciso fazer televisão. Ainda mais porque o sistema de patrocínios de espetáculos teatrais preza por atores conhecidos e isso faz com que a gente tenha que estar na televisão”, pontua Fontana.
O ator ainda faz uma ressalva às leis de incentivo cultural. “Elas são importantes, porém a maioria precisa ser revista porque traz erros. Mas, independente disso, penso que o Estado deveria subsidiar a cultura e não repassar o seu papel às empresas por meio dessas leis”.