Cultura

Autran conheceu Rasi há 30 anos

Adriana Fricelli
| Tempo de leitura: 2 min

A primeira vez que Paulo Autran veio a Bauru data mais de 30 anos. Na ocasião, o ator trouxe o espetáculo “Liberdade, liberdade”, de Flávio Rangel e Millôr Fernandes, ao Automóvel Club. O produtor local era um garoto franzino, de 16 anos, chamado Mauro Rasi. “Ele já era interessado em teatro. Uma graça de pessoa. Todos ficamos encantados por ele”, lembra o ator

No primeiro dia de apresentação, a casa, com espaço para 600 pessoas, tinha apenas 100 cadeiras preenchidas. No dia seguinte, Autran foi convidado para dar uma entrevista à televisão local e, ao chegar, um senhor estava divulgando um festival italiano que seria realizado na noite seguinte. Quando foi sua vez de falar, Autran disparou.

“Eu aconselho vocês a irem à festa da Itália. Lá vocês não precisam pensar. Nem a letra da música vocês precisam entender, porque é em italiano mesmo! Não vão me ver no teatro, porque lá vocês vão pensar”.

Com a entrevista, a casa ficou cheia nas próximas duas apresentações. Mas, ao mesmo tempo que trouxe público, suas palavras quase lhe renderam uma dor de cabeça. Um vereador que assistiu à entrevista propôs que ele fosse declarado persona non grata. Autran só foi salvo graças à intervenção do pai de Rasi. “Seu pai era vereador fez minha defesa e a câmara não votou”.

O ator voltou novamente a Bauru no final da década de 90, com o espetáculo “Crime do Dr. Avarenga”, de Mauro Rasi. A peça foi encenada no Teatro Veritas da Universidade do Sagrado Coração (USC), porque Bauru ainda não contava com um teatro municipal.

De todas as peças que apresentou, Autran guarda um carinho especial por “Liberdade, liberdade”, apresentada em plena ditadura e proibida em todo território nacional, em 1966, dois anos depois da estréia. “Se eu tivesse que escolher um único espetáculo, eu escolheria esse. Porque na época em que a liberdade foi abolida no País, pelo menos no título havia duas vezes a palavra”.

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