Muitos me perguntam se é vantagem colocar um turbo no motor. A resposta é sempre a mesma: depende da sua utilização.
Colocar um turbo, como qualquer adaptação feita em um veículo de série, depende de vários fatores. Caso seu objetivo seja melhorar o desempenho do motor, torná-lo mais esportivo e usá-lo mais em estradas, sem dúvida um turbo seria bem vindo. Agora, se o uso for apenas esporádico, na maioria das vezes no trânsito urbano pesado, não valerá a pena, pois o custo-benefício não será favorável.
A função de um turbo é injetar mais ar dentro do motor. Conseqüentemente, para manter a mistura ar-combustível constante e adequada, mais combustível deverá ser injetado. Daí, com mais mistura para ser queimada, teremos mais potência.
Só que o turbo tem suas características próprias em função do seu design. Um turbo é composto basicamente de duas turbinas ligadas por um eixo, uma delas é movida pelos gases de escape do motor e a outra (compressora) girará solidariamente à esta, em outra câmara, aspirando e comprimindo ar para a câmara de combustão. Portanto, quanto maior o volume de gás de escape passando pela turbina movida, mais rotação teremos no eixo e mais ar será comprimido pela turbina compressora, gerando mais potência no motor.
Isso quer dizer que a turbina proporcionará mais potência quanto maior for a rotação do motor, o que propiciária geração de calor muito grande devido à compressão do ar. Mas este excesso de calor tem suas conseqüências. Dentro do motor, peças como pistões, anéis e válvulas sofrem maior desgaste e estão sujeitas a quebras mais freqüentes se não forem dimensionadas adequadamente no momento da instalação do turbo, por não suportarem o excesso de pressão e temperatura.
Dentro do compartimento do motor, o fato de se recircular gases de escape pela turbina faz com que se retenha muito calor dentro do capô, que seriam normalmente eliminados pelo escapamento. Este aumento de temperatura, em alguns casos, pode danificar componentes plásticos e de borracha, e já houve casos de peças se incendiarem e derreterem, provocando um incêndio.
Outra característica típica de um turbo é o “lag” (atraso) que proporciona um buraco na aceleração quando se sai em baixa rotação. A partir de uns 2.500 rpm, o turbo enche e começa a mandar mais ar comprimido para o motor e tudo muda de figura. Sentimos um delicioso empurrão nas costas e o motor ganha potência continuamente. Portanto, essa característica comprova que o turbo é ideal para o motor rodando em rotações altas, e se torna inadequado quando se circula em trânsito urbano a baixas rotações.
De qualquer maneira, ao se desligar um motor turbinado deve-se proceder a um pequeno ritual mantendo-o ligado em marcha lenta por 30 segundos antes de cortar a ignição. Isto se deve ao fato de manter o fluxo de óleo lubrificante na turbina até que ela pare de girar, para não danificar mancais e rolamentos, já que o turbo é lubrificado pelo óleo do motor.
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CORREIO TÉCNICO
Quero fazer meu carro rodar com GLP? Como poderia ser feito isso? Meu carro é flex e acho que isso seja mais fácil a adaptação...
Diego, Bauru
É contra a lei usar Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) em carros de passeio, sendo permitido apenas em uso industrial (empilhadeiras e geradores). Fazer uma adaptação a partir de um kit de Gás Natural Veicular (GNV) automotivo não vai dar certo, pois as características dos gases (GNV x GLP) são muito diferentes.
Só para ter uma idéia, o GLP tem poder calorífico - a capacidade de gerar energia - mais próximo do da gasolina e quase o dobro do GNV, além da pressão de armazenamento ser bem diferente, bem como a relação estequiométrica (mistura ar-combustível). Como seu carro é flex, deve ter a taxa de compressão mais alta do que um a gasolina, e isso ajuda muito na conversão para GNV. Sugiro que siga a lei e, se quiser mesmo colocar um kit a gás, use GNV homologado.
Sugestões para a coluna e perguntas à seção Correio Técnico devem ser enviadas ao e-mail automerc@jcnet.com.br ou à redação do Jornal da Cidade, na rua Xingu, 4-44, Higienópolis. É obrigatório informar nome completo, RG, endereço e contato (telefone ou e-mail).
*Marcos Serra Negra Camerini é engenheiro mecânico formado pela Escola Politécnica da USP, pós-graduado em administração industrial e marketing e engenharia aeronáutica, com passagens como executivo na General Motors (GM) e Opel. Também é consultor de empresas e assina uma coluna na revista Quatro Rodas Nitro. Seu site é www.marcoscamerini.com.br.