Polícia

Febem adota método da premiação

Por Ieda Rodrigues | Com Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Numa avaliação feita há um ano, a unidade de Bauru da Fundação para o Bem-Estar do Menor (Febem) era a primeira no ranking das mais violentas do Estado de São Paulo. Mas desde julho, experimenta um período de calmaria, sem rebeliões, fugas e brigas entre os adolescentes, pelo menos que tenham sido divulgadas. Um dos principais responsáveis pela mudança, segundo a assessoria de imprensa da instituição, é o modelo de disciplina adotado, que premia os internos que apresentarem bom comportamento e bom desempenho nas atividades e obrigações impostas.

É a este modelo de disciplina, implantado gradativamente por Antonio Parras, que assumiu a direção da Febem de Bauru em julho do ano passado, que a instituição atribui a calmaria. Cada adolescente é monitorado individualmente, do momento em que acorda até retornar aos quartos à noite.

O funcionário de pátio, juntamente com os coordenadores, observa os adolescentes e atribui a cada um deles conceitos que vão de ótimo, bom, regular a péssimo, conforme desenvolvimento nas atividades e obrigações estipuladas no regimento interno da instituição, de acordo com a assessoria de imprensa. Os conceitos são anotados em planilha. Aqueles que apresentam um maior número de conceitos “ótimo” recebem cestas básicas, que são entregues para as famílias deles, no dia das visitas.

Além da cesta básica, os quatro primeiros colocados ganham ainda o direito de receber dois familiares durante um dia todo da semana, livremente escolhido. Neste dia, os familiares participam juntamente do adolescente de todas as atividades desenvolvidas na unidade, inclusive do almoço. “Com esse novo método de trabalho, conseguimos detectar os adolescentes mais indisciplinados e resistentes às regras da unidade. Assim que constatamos esse tipo de conduta, uma equipe multidisciplinar é encarregada de analisar esses casos e buscar soluções para a adaptação desses jovens”, explica Parras através da assessoria de imprensa da Febem.

Toda semana são publicados os resultados de cada planilha nos pátios da Unidade de Internação (UI) e Unidade de Internação Provisória (UIP), que ontem somavam 72 adolescentes de Bauru e região. “Esse dia é muito esperado pelos adolescentes”, conta Parras. “É importante destacar que as planilhas geraram um resultado muito positivo: a disputa sadia entre os adolescentes, já que um tenta superar o outro para conseguir os primeiros lugares”, conta Parras, satisfeito com o êxito na iniciativa.

Ele ressalta também a adoção de regras claras e disciplina no desenvolvimento das atividades programadas, assim como a implementação de cursos profissionalizantes, como de construção civil, informática, elétrica e computação, além do ensino regular, como importantes para a calmaria na unidade de Bauru. Atualmente, 20% dos adolescentes que passaram pela Febem voltam a cometer algum tipo de infração, de acordo com a assessoria de imprensa. Por enquanto, não há estudo sobre o índice de reincidência na unidade de Bauru.

Para Onilande Santinho Basso, promotor criminal da Infância e Juventude, o sistema de premiação dos adolescentes é válido. “Para o momento que eles (adolescentes) estão recolhidos, certamente é positivo premiá-los pelo mérito do bem”, diz. Mas pondera que só o tempo poderá mostrar se o método vai ajudar na recuperação do adolescente infrator. “Temos que considerar a individualidade e a readaptação ao meio aberto”, completa.

Tem a mesma opinião Gilberto Truijo, presidente da comissão de Direitos Humanos da Subseção Bauru da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). “Mantivemos apenas um contato com este novo diretor (Antonio Parras), que demonstrou estar empenhado em resolver os problemas”, diz, ressaltando que ainda não conhece o projeto.

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Benéfico

O método de premiação é benéfico não só porque o adolescente é compensado pelo bom comportamento, mas porque ele consegue integrar-se às exigências da instituição. A avaliação é da psicóloga Ana Cristina Pereira, para quem os estímulos podem, inclusive, fortalecer a confiança e a conduta do jovem quando ele já estiver fora da fundação.

“Ele teve a oportunidade de se integrar à sociedade, mas por milhões de razões não se adequou e foi excluído. Dentro de toda uma estrutura de exclusão, essa atitude (de estimular) parece favorecer uma integração agora (dentro da instituição) e uma reintegração lá fora”, reitera.

Luciana La Fortezza

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