Washington - A Casa Branca disse ontem que o discurso bastante crítico à Rússia, feito na véspera pelo vice-presidente Dick Cheney, refletia a política externa americana. “Trata-se de algo semelhante ao que temos reiteradamente afirmado”, disse Scott McClellan, porta-voz do presidente George W. Bush.
Cheney, discursando na Lituânia, acusou o presidente Vladimir Putin de recuar no processo de democratização e de usar suas reservas de gás como instrumento de “chantagem” contra países vizinhos que no passado integraram a União Soviética.
Em Moscou, no entanto, o discurso de Cheney foi interpretado por alguns jornais como o indício da vontade americana de isolar a Rússia e partir para um confronto semelhante ao que vigorou durante a Guerra Fria.
“O discurso elimina os vestígios de uma parceria estratégica entre Washington e Moscou”, disse Gleb Pavlovsky, analista político próximo do Kremlin.
Alguns jornais lembraram o discurso de Churchill que se referiu a uma “cortina de ferro”, enquanto outros acreditam que Cheney prenunciou o comportamento agressivo dos EUA, no momento em que se prepara o encontro de cúpula do G8, que deve ocorrer em julho, em São Petesburgo.