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Tony Blair é obrigado a reformar seu gabinete após revés eleitoral

Folhapress
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Londres - Num dos mais duros golpes sofridos em nove anos de governo, o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, foi obrigado a fazer uma reforma ministerial que mexeu com postos-chave de seu gabinete.

A medida foi tomada após a retumbante derrota do Partido Trabalhista nas eleições municipais de anteontem e deve aumentar a pressão pela abreviação do terceiro mandato de Blair.

Acossado pelo caso dos criminosos estrangeiros libertados quando deveriam ter sido deportados, o ministro do Interior, Charles Clarke, deixou o governo. Será substituído por John Reid, que era titular da Defesa, pasta que ficará a cargo do secretário do Tesouro, Des Browne.

O ministro das Relações Exteriores, Jack Straw, foi rebaixado, passando a líder dos trabalhistas na Câmara dos Comuns (a câmara baixa do Parlamento inglês). A política externa do Reino Unido passará às mãos da até aqui ministra de ambiente e assuntos rurais, Margaret Beckett, que será a primeira mulher a assumir o Foreign & Commonwealth Office (FCO) na história do país.

Empanado por acusações de uma amante, o vice-premiê, John Prescott, se manteve no cargo, mas perdeu sua atribuição mais importante, de cuidar de comunidades e governos locais.

A função será assumida por Ruth Kelly, que deixa o ministério da Educação, a ser liderado pelo ministro do Comércio, Alan Johnson. A reforma, a mais ampla da era Blair, foi anunciada pouco após a apuração dos votos das eleições locais da última quinta. Os trabalhistas perderam 319 conselheiros municipais (equivalentes a vereadores) e o controle de 18 autoridades locais na Inglaterra, além de terem terminado em terceiro, atrás dos liberais democratas.

Em sua primeira disputa eleitoral sob a liderança de David Cameron, o Partido Conservador venceu com folga a corrida, fazendo 316 novos conselheiros e controlando 11 autoridades locais a mais, seu melhor desempenho desde 1992.

Segundo projeções da BBC com base nas principais colégios, em termos proporcionais os “tories” levaram 40% dos votos, os liberais democratas 27% e os trabalhistas 26%.

O ultradireitista e xenófobo Partido Britânico Nacional pelo menos dobrou o seu número de conselheiros (foi a 46), embora não tenha conseguido controlar nenhum conselho regional.

Nas eleições locais de 2004, os governistas sofreram derrota semelhante, então atribuída à rejeição pública à Guerra do Iraque, na qual os britânicos são aliados de primeira hora dos EUA.

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