Nacional

Polícia investiga mais parlamentares

Por Adriano Ceolin e Silvana de Freitas | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - O delegado da Polícia Federal (PF) Tardeli Boaventura, responsável pela Operação Sanguessuga, afirmou ontem que mais nomes de parlamentares poderão aparecer nas investigações sobre o esquema de compra fraudulenta de ambulâncias por prefeituras com verbas do Ministério da Saúde.

Boaventura disse ainda que deverá solicitar prisões preventivas (por tempo indeterminado) de algumas das 47 pessoas que já se encontram detidas por prisão temporária (válida por cinco dias). Ainda faltam 7 dos 54 mandados de prisão temporária a serem cumpridos.

A PF deu prazo para que as pessoas se apresentem até hoje, caso contrário serão consideradas foragidas. “Já estamos monitorando aeroportos”, disse Boaventura. Ontem, Suelene Almeida Bezerra, assessora do deputado Reginaldo Germano (PP-BA), foi a 47.ª pessoa a ser presa. Ela apresentou-se no fim da tarde na Superintendência da PF em Brasília. Segundo o delegado, os pedidos de prisão preventiva deverão ser feitos em decorrência do cruzamento de informações apuradas e dos depoimentos que ainda estão sendo tomados.

Anteontem, todas as pessoas presas começaram a ser transferidos para Cuiabá para prestar depoimento. Boaventura explicou que a lista de 65 parlamentares citados nos diálogos foi produzida a pedido da Justiça Federal, que a encaminhou a Supremo Tribunal Federal, Senado, Câmara e Procuradoria-Geral da República. Segundo o delegado, os nomes dos deputados surgiram nas conversas gravadas com autorização judicial. “Nós fizemos um levantamento (nas transcrições das conversas) para identificar onde a palavra-chave “deputado’ era mencionada.”

É por causa dessa metodologia que o delegado considera a hipótese de mais parlamentares surgirem nas investigações, já que os nomes deles podem ter sido mencionados sem o uso da palavra “deputado”. Boaventura também não descarta, porém, que assessores possam ter agido por conta própria. O delegado contou que não houve tempo para investigar, caso a caso, todos os nomes de parlamentares mencionados nas conversas. “Nós só repassamos os nomes. Não fizemos distinção nem juízo de valor”, afirmou.

Com a quebra de sigilos bancário, fiscal e telefônico de dezenas de pessoas, a PF detectou também movimentações financeiras até cinco vezes superiores à renda declarada em determinado ano, por parte de alguns dos assessores acusados de envolvimento. Boaventura afirmou que mais de 200 páginas com diálogos que mencionam parlamentares foram encaminhadas à Justiça

O procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, já recebeu os documentos dessa investigação para decidir que providências tomar em relação aos deputados suspeitos de envolvimento. Ele poderá pedir a abertura de inquérito no STF. Muitos dos deputados citados nas gravações devem ser excluídos da apuração porque não haveria outros indícios contra eles.

O nome deles pode ter sido usado indevidamente em negociações. Além de fraude na compra de ambulâncias envolvendo o Ministério da Saúde, há indícios de irregularidades na aquisição de equipamentos em outras áreas do governo, em especial no programa de inclusão digital, do Ministério da Ciência e Tecnologia. Também há suspeita de desvio de dinheiro público na compra de automóveis e de medicamentos.

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