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Sem-terra invadem fazenda em Franca

Folhapress*
| Tempo de leitura: 2 min

Ribeirão Preto - Cerca de 200 famílias do Movimento de Libertação dos Sem-Terra (MLST) invadiram na madrugada de ontem a fazenda Nova Mata, que pertence ao grupo Samello - uma das maiores empresas do setor calçadista de Franca (401 km de São Paulo).

A propriedade de 1.400 hectares fica em Cristais Paulista, cidade vizinha de Franca. A ocupação iniciou por volta da 01h30 e não houve resistência. Esta é a segunda ação do MLST neste ano na região de Ribeirão Preto. Em fevereiro, 201 famílias invadiram a fazenda Santana, também em Cristais Paulistas.

Segundo a coordenação regional do movimento, a ocupação faz parte de uma jornada nacional para acelerar a reforma agrária e deve ocorrer outras invasões na região de Ribeirão Preto e em outros Estados como Minas Gerais e Pernambuco.

Segundo o coordenador nacional do MLST, Marcos Praxedes, a fazenda da Samello foi escolhida porque a empresa está demitindo dezenas de funcionários e está demorando para fazer o acerto. “A Samello não está cumprindo sua função social. Queremos que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) compre a fazenda, que vale cerca de R$ 30 milhões.

Além de assentar dezenas de família a empresa pode honrar os compromissos com seus funcionários”, afirmou. A escolha da propriedade da Samello também está ligada a uma iniciativa do MLST de se aproximar mais dos conflitos urbanos.

Fábricas são alvo

Na semana passada o movimento anunciou que pretende ocupar outras fábricas na região de Ribeirão que estão em processo de falência e apoiar os funcionários para que assumam o controle do empreendimento. Para o administrador da fazenda, Antonio Galvão Borges, 63 anos, a invasão foi uma “surpresa”, já que a propriedade é inteiramente produtiva - 38 funcionários trabalham com gado, café e eucalipto.

“A empresa (Samello) ligou logo cedo dizendo para eu não fazer nada, mas eles vão acabar saindo. Aqui é tudo produtivo.

A escolha da fazenda conta com o apoio do Sindicato dos Sapateiros de Franca e Região. “Hoje vamos começar uma campanha em Franca para que os funcionários demitidos da Samello venham para fazenda. Este ano foram cerca de 200 demissões e muitos não receberam seus direitos”, afirmou o diretor do sindicato Helton Luís da Silva, 26 anos. Até o final da manhã de ontem, a empresa não havia registrado nenhum boletim de ocorrência na polícia sobre a invasão da propriedade.

A reportagem não conseguiu localizar ontem nenhum responsável da Samello para que ele pudesse comentar sobre a ocupação da fazenda e a situação financeira da empresa.

O MLST é formado por membros dissidentes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Além das duas fazendas invadidas este ano em Cristais Paulista, o grupo conta na região de Ribeirão Preto com 140 famílias no assentamento Boa Sorte, em Restinga, e cerca de 110 no acampamento da fazenda da Barra, em Ribeirão.

*Fabrício Freire Gomes

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