Reino Unido - Violência e intimidação em doses crescentes fizeram dos ativistas pelos direitos dos animais no Reino Unido um martírio para cientistas e qualquer um envolvido direta ou indiretamente com o uso de cobaias em pesquisas. O terrorismo funciona: ameaçadas pelos extremistas, empreiteiras rescindiram contratos para construir laboratórios, empresas recusaram parcerias com universidades, fazendas de criação de animais foram fechadas.
Graças a um garoto de 16 anos, a ditadura do medo começa a ser confrontada. Laurie Pycroft, um estudante de Swindon, Interior da Inglaterra, fundou a organização Pro-Test (www.pro-test.org.uk), cujas intenções o bem sacado nome já revelam: apoiar, por mobilização popular, testes científicos com uso de animais.
Em menos de dois meses, Pycroft acumulou em igual escala adeptos para a causa e inimigos. Com os primeiros, organizou no final de fevereiro a primeira manifestação do grupo. Quase mil pessoas marcharam pelas ruas de Oxford, palco da batalha mais dura do Pro-Test.
Há pelo menos dois anos se arrasta a tentativa da renomada universidade local de construir um laboratório de pesquisa biomédica. Os ecoterroristas conseguiram, em 2004, forçar a primeira construtora contratada a desistir da obra, que ficou parada por 16 meses - pois todo possível novo parceiro era ameaçado.
Como tudo que envolve os extremistas pró-animais, a reação foi pesada. Pycroft já recebeu mais de 30 e-mails com ameaças, inclusive de morte. A polícia procurou a família dele para dar dicas de segurança e instalou em sua casa um alarme de pânico.
Parece paranóia, mas não é. Liderados por ONGs como ALF (Frente pela Libertação dos Animais, na sigla em inglês) e Speak, os militantes agem como guerrilheiros e cumprem muitas das ameaças.
Colocam bombas em carros de cientistas, picham ou depredam suas casas, amedrontam seus familiares. Mas os alvos são amplos: na luta contra o laboratório de Oxford, chegaram a listar todas as empresas que financiam a universidade, ameaçando atacar cada uma delas.
Talvez a ação mais impressionante dos anti-vivisseccionistas (vivissecção é a operação de animais vivos) tenha sido a violação, no ano passado, do túmulo da sogra de um fazendeiro que fornecia porquinhos-da-índia para laboratórios. Depois disso, o criador fechou a fazenda. Quatro pessoas foram indiciadas, mas até agora os ossos não reapareceram.