O governo criou o “Saúde e Prevenção nas Escolas” (SPE) em 2003. Além da prevenção de doenças, o programa também leva informação ao adolescente sobre o uso da camisinha para evitar a gravidez. A iniciativa surgiu com a proposta de trabalhar em conjunto as três esferas (federal, estadual e municipal) do governo nas áreas de saúde e educação.
Para implementar essas ações, o poder público conta com a colaboração da Unesco e da Unicef. O “Saúde e Prevenção” tem como finalidade ampliar ainda mais a oferta de preservativos nas escolas. “Queremos elevar de 16,3% para 25%, ainda em 2006, o percentual de escolas do ensino médio que têm disponível a camisinha para os alunos”, revela Mariângela Simão, diretora do Programa Nacional de Aids.
A Pesquisa sobre Comportamento Sexual e Percepções da População Brasileira sobre HIV e Aids (1998-2005), realizada pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), mostra que o brasileiro está usando cada vez mais o preservativo na sua primeira relação sexual. Em 1998, 47,8% dos indivíduos entre 16 e 19 anos utilizaram a camisinha na sua primeira relação. Em 2005 foi constatado que esse numero subiu para 65,8%.
O crescimento está relacionado com o aumento das campanhas de divulgação sobre o uso do preservativo. Os dados também mostram que a utilização da camisinha cresce de acordo com o grau de instrução.
Entre os homens de 16 a 19 anos, por exemplo, o índice vai de 58,6% nos analfabetos funcionais (que sabem escrever, mas nem sempre compreendem o que lêem) para 72,2% naqueles com segundo grau completo. Por esse motivo, as escolas são um cenário importante como executor das medidas de prevenção.
A secretária nacional da Pastoral da Juventude, Elen Marques Dantas, de 24 anos, participou de uma oficina montada pelo “Saúde e Prevenção na Escola” e constatou que a educação sexual é fundamental para a sociedade.
“Nós da Pastoral da Juventude sabemos que, apesar de ser um assunto muito delicado para a Igreja Católica, a educação sexual é importante para que o jovem ganhe informações, se conheça melhor e saiba como se prevenir contra doenças graves“, afirma Dantas.
Fala-povo
Você é a favor da educação sexual nas escolas?
“Sim, por que nem todos os pais se sentem à vontade para tratar do assunto com seus filhos. Muitas vezes, por falta de diálogo em casa, os jovens aprendem sobre sexo de uma forma traumática e ainda correm o risco de pegar doenças sexualmente transmissíveis ou de uma gravidez não planejada.”
Gleciane Lopes, 23 anos, dentista
“Hoje em dia existem muitas doenças e quando somos jovens a curiosidade é grande e não temos noção dos perigos. Se as pessoas aprendessem tudo na escola, muitas doenças seriam evitadas, sem contar a gravidez não planejada.”
Cristiano Emerson da Silva, 27 anos, engraxate
“A educação sexual deve constar no currículo das escolas porque a sociedade ainda não se sente preparada para conversar abertamente sobre sexo. Por isso, é melhor deixar a discussão ser orientada por profissionais. Assim, muitos tabus são quebrados e o preconceito tende a diminuir.”
Wanderley Wailer, 24 anos, auxiliar de cinegrafista