Nascido em Bariri, em uma família humilde de cinco filhos, pai motorista e mãe dona de casa, Toninho Gimenez é hoje um empresário bem sucedido de Bauru. Além do amor pelo trabalho, que permitiu a ele recuperar uma empresa quebrada, Gimenez sempre esteve ligado ao futebol. Do sonho de ser jogador profissional à presidência do Noroeste, foram mais de 20 anos de dedicação ao esporte.
Sempre sem perder o foco de sua profissão na área de mídia Exterior, o empresário também se dedica a trabalhos sociais. Uma forma de não se esquecer das pessoas que, de uma certa forma, fizeram parte de sua origem humilde e ajudar aqueles que se encontram na mesma situação na qual já esteve um dia. Hoje já conquistou o mercado de outdoors e painéis não só em Bauru. Sua empresa atua fortemente em São Paulo e tem penetração em Goiás, Minas Gerais e Paraná. Conheça um pouco mais deste cidadão que adotou Bauru na entrevista abaixo.
Jornal da Cidade - O senhor já é muito conhecido e respeitado em Bauru, mas conte-nos um pouco do início de sua trajetória de vida.
Toninho Gimenez - Bem, eu nasci em Bariri, em 1955. Morei lá até os quatro anos. Depois a família mudou-se para o Paraná, em busca de melhores oportunidades. Quando eu estava com 20 anos, a família passava dificuldades de novo. Meu pai estava desempregado e um tio, Roberto Boletti, nos aconselhou a vir para Bauru, que aqui teríamos mais possibilidades de trabalho. Nesta época eu já investia em uma carreira de jogador de futebol profissional e já trabalhava como pintor/letrista. Aos 14 anos eu comecei a trabalhar como pintor e letrista. Nossa família era humilde. Os filhos trabalhavam para ajudar no sustento da casa. Aos 16 anos comecei a investir também em uma possível carreira como jogador profissional.
JC - Como foi sua atuação no futebol?
Gimenez - Não cheguei a ser profissional. Mas joguei muito como amador. No Paraná, fiz testes no Londrina. Quando vim para Bauru, aos 20 anos, fui treinar no Noroeste, como juniores. Sempre trabalhando também como pintor e letrista. A paixão pelo esporte era grande, mas com 21 anos encerrei minha carreira de jogador de futebol. O sonho de ser profissional. Vi que era muito difícil, que tinha que me dedicar à minha profissão, trabalhar, sempre fui autônomo, não dava para conciliar as duas coisas. Era de uma família muito pobre, como já disse, então sempre ajudei no sustento da casa. Passei, então, a me dedicar ao meu trabalho e praticar esporte como amador apenas. Joguei futebol de salão, que eu era muito bom, tivemos um time que chamava Parquinho e a gente jogou junto durante uns 10 anos. Todo ano a gente era campeão. Foi assim que eu fui travando relações, conhecendo pessoas, para mim que não era da cidade foi fundamental. Fiz muitos amigos e clientes também.
JC - Sua paixão transcendeu sua atuação de atleta, certo?
Gimenez - Foi esta paixão que me levou para a direção do Noroeste. Cheguei em 1987 para cuidar do Departamento de Marketing, daí passei a diretor, vice-presidente e em 2003 fui presidente. Hoje sou conselheiro. O esporte na minha juventude foi muito importante como cidadão, o jovem que se dedica muito ao esporte acaba tendo não só a paixão, a saúde, mas também a formação como cidadão que é o mais importante.
JC - Existe alguma pontinha de frustração por não ter se tornado jogador profissional?
Gimenez - Não. De forma alguma. Eu estou muito realizado na minha vida profissional. Assim como tinha paixão pelo futebol, também sou apaixonado pela minha profissão. Este meio da mídia, publicidade é uma paixão realmente, e se não se apaixonar de alma não consegue sucesso. Nosso sucesso foi esse, dediquei-me de alma e acabei conquistando mercados que outros empresários nem imaginavam trabalhar e nós estávamos ocupando estes espaços. Quando eu entrei na Imigrantes (rodovia), há 20 anos, era eu e mais um. Hoje estão uns 15 lá. O mesmo na rodovia dos Bandeirantes. O segredo do empresário é enxergar o invisível, porque o mercado existe para todo mundo, o diferencial está no trabalho, no produto e na confiança.
JC - Conte-nos como foi o início da sua vida profissional?
Gimenez - Bom, nós atuamos como profissionais da publicidade e mídia exterior. Trabalhamos com painel rodoviário, outdoor e front light. O início foi uma coincidência interessante. A empresa que hoje é minha foi o primeiro lugar onde fui pedir emprego quando cheguei em Bauru. Em 1974, fui pedir emprego na Bauru Painéis, mas não consegui. Daí fui trabalhar com um ex-funcionário da Bauru Painéis, que tinha um ateliê de pintura e decoração. Ficamos sócios. Trabalhamos juntos por três anos. Em 1977, montei sozinho a empresa Arte & Cores. Em 1980 eu comprei a Bauru Painéis.
JC - Como foi isso?
Gimenez - A Bauru Painéis era uma empresa pequena, com três funcionários e estava quebrada. Trabalhava apenas com painéis urbanos. Eram painéis pequenos. Eu e meu sócio, Edgar Rodrigues, que era funcionário da empresa, a recuperamos e fomos ganhando mercado. Começamos apenas com dois funcionários. Hoje são 50. A empresa tinha na época 12 outdoor, hoje temos 250; painéis eram seis urbanos, de 40 metros, hoje temos 220 painéis rodoviários, de 200 metros em média, e alguns de até 400 metros.
JC - Como conseguiram crescer tanto?
Gimenez - Eu, o Edgar e minha esposa, a Rose, assumimos em dezembro de 1980. A Rose trabalhou com a gente até quatro anos atrás. Hoje ela, nossa filha e minha cunhada têm uma pequena empresa de outdoor, a Cidade Outdoor. Bem, quando nós assumimos a empresa, nem conhecíamos São Paulo. Fizemos a primeira viajem para lá em 1982, para conhecer a agência McCann Ericson. Daí, a gente descobriu que o grande mercado nosso era São Paulo. Conhecendo o mercado deu o start de que ali é que seria possível crescer e foi dando certo. Começamos a conquistar o mercado de São Paulo, fui conhecer as rodovias dos Imigrantes, dos Bandeirantes, Dutra, Anchieta. Hoje, 80% do faturamento da Bauru Painéis é de São Paulo. Por isso minha vida hoje é muito corrida, eu não paro em Bauru, quarta, quinta e sexta-feira eu estou entre Campinas e São Paulo.
JC - Hoje a Bauru Painéis está onde?
Gimenez - Com painel atuamos principalmente num raio de 200 quilômetros de São Paulo. Estamos nas rodovias Bandeirantes, Anhanguera, Imigrantes, Ayrton Sena, Washington Luiz, Anchieta, Dutra e outras. Com menos intensidade, atuamos também um pouco em Minas Gerais, Goiás, Paraná. Com outdoor nossa atuação é mais urbana, em Bauru.
JC - Pelo que o senhor nos conta, hoje a Bauru Painéis tem vários grandes anunciantes, cresceu bastante. Quais os planos para o futuro?
Gimenez - Temos vários anunciantes, sim. Ellus, Itaú, Bradesco, McDonald’s, Tim, Claro, Santander e outros são nossos clientes em painéis rodoviários. Com outdoor, nossos clientes maiores são do setor de educação, de telecomunicações e bancos. Quanto ao futuro, já conquistamos bastante. O plano maior é manter o que a gente tem e estar atento sempre para as oportunidades.
JC - O senhor conhece muita gente em Bauru, é um cidadão de destaque e muito querido na cidade. Com esta popularidade, já pensou em entrar para a política?
Gimenez - Já fui convidado para me filiar e para me candidatar, mas nunca aceitei. Não que não tenha vocação, acho só que não chegou o momento ainda. Não descarto totalmente, mas acho que ainda não é a hora. Pode ser uma possibilidade futura, mas como minha vida ficou muito corrida, estou sempre com minha agenda atrasada (risos), eu não sei.
JC - O senhor tem uma atuação considerável também em atividades sociais?
Gimenez - Como eu tenho uma origem humilde, sempre tive pessoas carentes ligadas a mim. Conforme fui saindo da classe mais baixa, busquei melhorar a vida das pessoas. Para ajudá-las e também como forma de agradecer a Deus por minha vida ter melhorado.
JC - O senhor dá um valor especial para educação...
Gimenez - Eu não pude fazer faculdade, sempre tive que trabalhar muito, sei que isto faz falta. Então, procuro ajudar vários parentes e funcionários. Só de faculdade eu pago umas 12. É o prazer de você poder ajudar, acho que a solução do mundo é essa, porque se não for pela educação, não sei como as coisas vão mudar.