Tribuna do Leitor

Liberdade: realidade ou ficção


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Ao analisarmos o artigo “Intolerância vira base de ação para melhorar o ambiente escolar”, publicado no Jornal da Cidade de Bauru do dia 12 de abril de 2006, que tratava sobre a implantação do Projeto "Cidadania – vivenciando a construção de valores na educação”, na escola Luiz Zuiani, com o objetivo de minimizar a violência presente na escola, consideramos que as medidas utilizadas para a realização do projeto, como aulas teóricas, implantadas junto às disciplinas, envolvendo os seis pilares do caráter que são: sinceridade, respeito, responsabilidade, zelo, senso de justiça e cidadania, gincanas e dinâmicas de grupo são o primeiro passo para um melhor ambiente escolar e favorecimento da integração da direção com professores, alunos e comunidade.

Entretanto, os alunos deveriam ter voz ativa em situações mais abrangentes do cotidiano da escola, pois “escolher a cor das paredes” e avaliar o comportamento do aluno através de gincanas e dinâmicas não irá causar uma conscientização e transformação de atitudes, ou seja, mudanças no indivíduo e no meio.

Os alunos necessitam de situações concretas, para que cheguem ao conhecimento da necessidade e que a liberdade de expressão seja realmente uma atividade prática e transformadora.

Segundo Chauí (1994 p.309): “(...) a liberdade não é tanto o poder de escolher entre vários possíveis, mas o poder para autodeterminar-se dando a si mesmo as regras de conduta (...)”, isto é que falta aos nossos jovens.

De acordo com a Pedagogia Histórico-Crítica, a educação e a escola são caminhos que colaboram com as transformações históricas favorecendo a emancipação do indivíduo, possibilitando a consciência dos conflitos sociais. Porém, a escola, por si só, não realizará tais transformações. É necessária uma parceria entre escola/pais/comunidade.

Entendemos que não adianta tentar educar esses jovens sem antes conscientizar suas famílias e o meio onde estão inseridos (no caso a comunidade). Como diz Chauí (1994 p. 307): “(...) A naturalização da existência moral esconde, portanto, a essência da moral, ou seja, que ela é essencialmente uma criação histórico-cultural, algo que depende de decisões e ações humanas (...)”.

Seria interessante que toda a rede de ensino aderisse a projetos como este, inclusive, e porque não dizer, especialmente as escolas de Ensino Fundamental. Pois assim elas trabalhariam a ética, a cidadania, a moral e a reflexão com as crianças, possibilitando que estas cresçam com um comportamento adequado perante a sociedade e principalmente conscientes do que é certo e errado para cada situação vivida e também sobre as conseqüências que seus atos podem trazer à sociedade.

Não adianta ficar batendo na mesma tecla e tentar achar algum culpado. Temos que arregaçar as mangas e procurar fazer a nossa parte. Se cada um fizer a sua, com certeza fatos como este deixarão de ser notícias. (Texto coletivo elaborado pelo 3.º termo da Disciplina de Didática da FAAG - Faculdade de Agudos - professora Leila Fernandes Arruda)

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