Ângela Maria de Godói conta que comprou um terreno no Parque Manchester de uma imobiliária. No final do ano passado soube da oportunidade oferecida pela CDHU e se candidatou ao programa. Ela lembra que correu para regularizar a situação do lote, já que para participar do Pró-Lar, a escritura do terreno precisa estar em seu nome. Na última sexta-feira, ela saiu frustrada de uma reunião na Cohab.
Depois de gastar R$ 700,00 só para quitar as dívidas do antigo dono do terreno com a prefeitura, Godói viu o plano de construir a casa onde pretende morar com os três filhos esbarrar na dificuldade em encontrar mão-de-obra pelo preço fixado pela CDHU. “Eles informaram que ou a gente paga a mais ou não tem como fechar o contrato. Eu não vou ter condições de pagar a mais”, lamenta.
“Consultamos autônomos e construtoras e eles colocaram um orçamento bem acima do que está previsto pelo financiamento”, explica Edison Gasparini Júnior, presidente da Cohab. Ele ressalta que está procurando alguma solução para o impasse, pois os mutuários colocam o terreno como garantia para o financiamento. “Depois de assinado o contrato, a obra não pode ser interrompida, por isso estamos buscando alguma solução para essa diferença nos orçamentos”, observa.
Gasparini Júnior explica que a Cohab não tem como subsidiar o valor a mais, cerca de R$ 2,5 mil para cada imóvel, a fundo perdido. “Se não arrumarmos alguma alternativa, as famílias teriam de dar a contrapartida ou em trabalho, ou em dinheiro”, diz o dirigente. “Todo mundo ficou decepcionado com essa notícia”, aponta Godói. Além do investimento não previsto, ela reclama da burocracia para participar do programa. “Até carteira de vacinação dos meus filhos eu tive que entregar”, conta.
Até a tarde da última quarta-feira, apenas uma família tinha concordado em pagar a mais pela mão-de-obra. O casal Túlio e Natália Debia foi o primeiro a dar continuidade no contrato com a Cohab. “É o único jeito para construir a nossa casa. E por empreiteira, é mais rápido”, diz Natália. Os dois planejam construir no terreno adquirido na Vila Industrial.