Rio de Janeiro - O médico Abdu Neme, que vem acompanhando a greve de fome do pré-candidato do PMDB à Presidência da República Anthony Garotinho, disse ontem que o político só agüentará por mais dois ou três dias se alimentando apenas com água, porque seu nível de glicose está caindo e seu organismo - por falta de alimentação - tem rejeitado o soro, que poderia hidratá-lo. O médico está preocupado com a possibilidade de um problema cardíaco do político, que tem sentido alterações cardíacas, tonteiras e cãibras.
O ex-governador também tem tido problemas gástricos por causa da falta de alimentação. Ele já perdeu 5,7 kg desde o dia 30 de abril. O médico disse que Garotinho só poderá ir à convenção do PMDB, no próximo domingo, se for antes a um hospital, mas ele reluta. Ele afirmou que não se sente abandonado pelo partido e que tem recebido muitas visitas e telefonemas de apoio de parlamentares e dirigentes. Informou ainda que pediu ontem ao presidente da legenda, Michel Temer (SP) que, caso não tenha condições de ir à convenção, dia 13, os votos de seu suplente sejam aceitos.
Diante de 200 militantes exaltados, Garotinho reafirmou sua pré-candidatura e disse que não está pensando em encerrar a greve de fome. “O que vale mais: a vida ou a honra de um homem?” Abatido, com barba por fazer e de bermudas, Garotinho fez mais um pronunciamento, intitulado “Onde está Ali Babá?”, contra o governo federal, as organizações Globo e a revista “Veja”.
O ex-governador se comparou a Mahatma Gandhi, que fez greve de fome contra a dominação britânica na Índia. Ele comentou que prefere esse tipo de protesto pacífico a ter alguma atitude violenta. Chegou a citar o caso do hoje deputado federal Ronaldo Cunha Lima, que atirou contra um oponente que havia atingido sua honra.