Internacional

Programa de governo prevê ação antimercado

Folhapress
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La Paz - Forte presença do Estado na economia, nacionalização dos recursos naturais, aversão ao capital estrangeiro e condenação das regras de mercado formam o cerne do governo de Evo Morales, que pode ser classificado de nacional-indígeno-populista.

Líder maior do MAS (Movimento ao Socialismo), Morales está mais próximo de Fidel Castro e Hugo Chávez do que do brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva. Em seu discurso de posse, no dia 21 de janeiro, Morales disse que sua missão era a continuidade da luta empreendida por Che Guerrava e terminou com uma citação do guerrilheiro zapatista subcomandante Marcos: “Mandar obedecendo ao povo”.

O programa do MAS que o levou à Presidência condena a “política neocolonialista hipotecária neoliberal e a globalização” e defende uma “grande pátria latino-americana”, livre do “neocolonialismo, do imperialismo e das transnacionais”.

Morales é o representante da maioria indígena da Bolívia (62% da população), que integra as terríveis estatísticas de pobreza e esteve virtualmente excluída de qualquer processo decisório até o início dos anos 1990, quando o movimento indigenista começou a crescer e conseguiu eleger os primeiros representantes no Congresso, entre os quais Morales.

A Bolívia é o país mais pobre da América do Sul, com um PIB de US$ 9,7 bilhões, o que a coloca em 102º lugar no ranking global. O PIB per capita é de US$ 1.059, menos de um quarto dos US$ 4.316 do Brasil. A recuperação do domínio do Estado sobre os hidrocarbonetos e a recriação da estatal YPFB foram a base do discurso de campanha de Morales.

Apesar de ele declarar que “sócios” estrangeiros são bem-vindos, seus discursos e os de seus auxiliares são marcados pela suspeição em relação às “transnacionais”. Por razões históricas, o capital externo é identificado com o “saque” dos recursos naturais do país.

Apesar do radicalismo em relação aos hidrocarbonetos, o governo de Morales é prudente na gestão macroeconômica. Concedeu reajuste para o salário mínimo inferior ao que havia prometido para não pressionar muito os gastos públicos. Além disso, manteve por três meses a antiga diretoria do Banco Central e nomeou para a presidência da instituição o economista Raúl Garrón Claure, formado nos EUA e com passagem pelo Banco Mundial.

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