Desde o último dia 23, Bauru conta com um semáforo de botoeira com sonorizador para que os deficientes visuais atravessem a via. O equipamento está instalado na avenida Nações Unidas, na altura do Jardim Contorno. Porém, como está disponível apenas em uma pista da via, a do sentido bairro-Centro, o deficiente visual não pode usá-lo sob risco de ser atropelado ao atravessar a outra pista.
Outra crítica de quem depende do equipamento é o local onde foi instalado. “O semáforo está localizado onde quase nenhum deficiente (visual) passa. É muito difícil. Ele seria mais útil, com toda certeza, na região central da (avenida) Rodrigues Alves, Duque de Caxias e da própria Nações (Unidas). Nesses lugares, dependemos da boa vontade das pessoas para nos ajudar a passar de uma calçada à outra”, diz o músico Jorge Herrera Lopes, 40 anos, que é deficiente visual.
O marceneiro Thomaz Atanásio Filho, 45 anos, também portador de deficiência visual, diz que nunca usou o único semáforo sonorizador, já que pouco passa pelo local. “É um recurso que seria melhor explorado no Centro. Eu, por exemplo, quase fui atropelado uma vez, no cruzamento da (rua) Monsenhor Claro com a (avenida) Rodrigues Alves, porque faltou esse equipamento. Acho que isso deveria ser revisto”, observa.
De acordo com a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), existe projeto para instalar semáforos sonorizadores em outros pontos da cidade, inclusive nos locais citados por Lopes. No entanto, o prazo para que a pretensão deixe o papel e beneficie os deficientes do município ainda não foi definido.
Émerson Luiz Sandi, assessor de comunicação da Emdurb, adiantou que mais dois semáforos serão instalados, em breve, na via bairro-Centro da Nações, onde os outros dois aparelhos já estão fixados.
“Assim que as obras de acesso e saída do Parque das Camélias terminarem, esses semáforos serão colocados. Mas ainda não temos previsão para a conclusão desse serviço”, concluiu. Sandi também informou que os equipamentos foram comprados pelo supermercado localizado naquela região. A empresa disponibilizou R$ 61 mil e a prefeitura mais R$ 25 mil, fora a mão-de-obra. Cada aparelho, conforme o assessor, custou R$ 17 mil.
“Temos a consciência de que semáforos sonorizadores seriam muito úteis no Centro de Bauru, mas ainda não temos previsão para compra. No entanto, adianto que nem o motorista nem o pedestre respeitam. E não há como a prefeitura fiscalizar porque o Código de Trânsito não determina nenhuma punição nesse sentido”, ressalta Sandi.
Fujika Kassai Fernandes Silva, coordenadora geral do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Comude), acredita que a postura do supermercado deveria ser copiada em outros bairros de Bauru.
“Não resta dúvida que, em termos de iniciativa, foi uma atitude muito importante para os deficientes. Mas o ideal seria que tivesse um na Rodrigues Alves e na Duque (de Caxias), que são algumas das avenidas mais movimentadas de Bauru”, aponta ela.
De acordo com a Emdurb, existem em Bauru dois sinalizadores de trânsito especializados para atender pedestres. São os chamados semáforos de botoeira, os quais podem ser acionados pelo usuário a qualquer momento a fim de para ro trânsito de veículos. Um deles está instalado na quadra 17 da avenida Nações Unidas, e o outro em frente ao colégio do Sesi, na quadra 38 da avenida Rodrigues Alves.
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Área central
Nilce Regina Capasso Canavesi, presidente do Lar Santa Luzia para Cegos, também enfatiza que os semáforos sonorizadores deveriam servir os deficientes, principalmente na região central de Bauru, como nas avenidas Rodrigues Alves e Duque de Caxias. Segundo ela, os portadores de deficiência visual não transitam na região onde o equipamento foi instalado.
“Acho que esses semáforos poderiam ser melhor aproveitados onde o fluxo de deficientes visuais é maior, como nas grandes avenidas de Bauru. Outra questão importante que precisa ser revista na cidade é a necessidade da prefeitura disponibilizar nos pontos de ônibus, principalmente da avenida Rodrigues Alves, placas em braile com o horário e destino dos ônibus. A cidade ainda deixa muito a desejar para os deficientes”, critica Canavesi.