Regional

Cidades cobram mais policiais na rua

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 4 min

Iniciativas recentes por parte da prefeitura e da Câmara Municipal de duas cidades da região colocam em evidência o descontentamento com o baixo efetivo de policiais militares.

Em Dois Córregos, os vereadores temem que a chegada de cerca de 5 mil trabalhadores rurais de outros Estados possa aumentar a insegurança na cidade. Todos os anos, eles vêm para trabalhar na colheita da cana-de-açúcar e, muitas vezes, acabam se envolvendo em brigas, algumas delas com resultados trágicos.

Preocupados com isso, os vereadores reivindicam mais policiais para a cidade. Recentemente, o tenente-coronel Américo Martins, do 27.º Batalhão de Polícia Militar (BPM) de Jaú, esteve na Câmara Municipal para falar sobre a atuação da polícia no município, como ocorre todo semestre.

Na ocasião, o presidente do Legislativo, o vereador Witter Francisco Soffner (PMDB), aproveitou para reivindicar um aumento no número de policiais para atuarem na cidade.

O município possui em torno de 25 mil habitantes e, segundo o vereador, conta atualmente com cerca de 15 policiais para o trabalho nas ruas. O vereador teme que, com a chegada de cerca de 5 mil trabalhadores nordestinos, que desde março começaram a chegar à cidade para trabalhar nas lavouras de cana-de-açúcar, possa aumentar a insegurança na cidade.

“Eles (os policiais) se desdobram ao máximo, mas a nossa preocupação é que neste período da migração, quando muitas pessoas vêm para trabalhar, entre elas podem vir algumas para agitar a comunidade”, explica.

Os trabalhadores costumam permanecer no município no período de março a dezembro. Somado à população efetiva da cidade, o número de habitantes salta para cerca de 30 mil pessoas. “Como trabalham em turnos alternados, eu acredito que eles (os policiais) têm que fiscalizar, em um grupo de três ou quatro homens, praticamente uma cidade com 30 mil habitantes. É um número muito reduzido (de policiais)”, lamenta o vereador.

O presidente da Câmara disse que o tenente-coronel fez um relatório da reunião ocorrida na Câmara e deve encaminhar para o Comando Geral da Polícia Militar do Estado de São Paulo a solicitação feita pelos vereadores.

“Ele (tenente-coronel) fez um estudo sobre Dois Córregos que foi entregue no Comando Geral solicitando um aumento de efetivo baseado nos critérios observado no novo estudo (que leva em conta a população de migrantes)”, ressalta o vereador.

A expectativa, segundo Soffner, é que com o novo estudo a reivindicação possa ser atendida e a cidade ganhe reforço no número de policiais que atuam nas ruas.

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Êxodo em Duartina

Em Duartina, o prefeito Ênio Simão (PFL), também está descontente com o número de policiais que existe atualmente na cidade. Ele solicitou ao comando da Polícia Militar de Bauru mais homens para garantir a segurança na cidade, que abriga uma cadeia feminina.

Segundo Ênio, dos 14 policiais que estão na cidade atualmente, pelo menos dois seriam transferidos, o que reduzirá ainda mais o total de PMs no município, que chegou a ter 26 homens.

De acordo com o prefeito, os poucos policiais que restaram têm que fazer a segurança de toda a cidade, que, além de abrigar uma cadeia feminina, também é sede de comarca. “Se ela (a presa) vai para o Fórum tem que ter um policial militar para acompanhar. Se é transferida, também é preciso um policial militar para acompanhar. O juiz tem audiência e também solicita policial”, comenta, ressaltando que o número de policiais é insuficiente para atender a demanda da cidade.

Ênio diz que o número de policias foi reduzido depois da norma que determina um policial para cada mil habitantes. “Devido a essa norma, de repente, começaram a transferir os policiais, e de 25 nós estamos com 14 policiais. Eles estão trabalhando 24 horas e têm que se revezar. Além disso, sempre tem que ter alguém de plantão no telefone para receber as emergências”, comenta.

Ele conta que o município, por abrigar um Pelotão de Polícia, também atende ocorrências de cidade vizinhas de menor porte. Alega também que, muitas vezes, os policiais têm que socorrer vítimas de acidentes nas duas rodovias que passam próximas de Duartina. “A cidade está entre duas rodovias movimentadas, que é à Bauru-Marília e Bauru-Ipaussu, que dá acesso a Castelo Branco e ao Paraná. Todo acidente que ocorre nesta área é acionado primeiro a Polícia Militar para dar o primeiro atendimento, até que chegue a polícia rodoviária, porque a base mais próxima está a cerca de 30 quilômetros de distância”.

O prefeito comenta que falta policiais até para garantir a segurança nas escolas. “A diretora da escola estadual veio aqui reclamando que não tem polícia na frente da escola, onde estudam mais de 1.000 alunos”, comenta, ressaltando que não tem como exigir mais dos poucos policiais que estão na cidade e que se revezam dia e noite.

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