Internacional

Suspensão de verba atrasará Palestina

Folhapress
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Palestina - O Banco Mundial alertou que a suspensão da ajuda financeira à Autoridade Nacional Palestina pode provocar atraso de “dezenas de anos” na criação de um Estado palestino. O alerta foi feito no momento em que EUA, Rússia, União Européia e ONU - o chamado Quarteto de mediação para o Oriente Médio - se reuniam em Nova York para discutir a questão.

Em carta ao Quarteto, o presidente da ANP, Mahmoud Abbas, também pede que seja repensada a estratégia de congelamento da assistência ao governo palestino. Chanceleres da Jordânia, da Arábia Saudita e do Egito, que já se haviam se manifestado contra a suspensão, também se reuniram com os mediadores.

A UE e os EUA suspenderam toda a ajuda financeira direta ao governo da ANP liderado pelo Hamas para pressionar o grupo terrorista a renunciar à violência e reconhecer o direito de Israel de existir. No mesmo tom, Israel suspendeu o repasse de impostos coletados em nome da ANP.

“O Quarteto deveria repensar suas decisões precipitadas que impuseram um boicote contra nosso povo”, disse Abbas na carta. “Os doadores ocidentais e árabes devem se dar conta de que o povo palestino está sofrendo dificuldades, e a comunidade internacional que acredita na liberdade, na justiça e nos direitos humanos não deveria aceitar essa situação”, acrescentou.

Autoridades americanas disseram que cerca de US$ 4 milhões em assistência médica especial seriam repassados por meio de ONGs, a partir de hoje.

Outros US$ 6 milhões seriam canalizados pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef ). Apesar disso, a secretária de Estado, Condoleezza Rice, instou a comunidade internacional a manter a linha dura contra o governo do Hamas: “O Hamas tem uma escolha a fazer. Se tem de governar e governar eficientemente, então tem de entrar na linha”.

Em 2005, a ANP teve um orçamento de US$ 2 bilhões, do qual metade veio de doações externas. O Banco Mundial tem ajudado a canalizar recursos aos palestinos, mas afirma que a incapacidade de pagar os salários de cerca de 165 mil funcionários públicos pode causar uma ruptura nas forças de segurança e no setor público.

“A principal responsabilidade, claro, é do governo palestinos”, disse a diretora de reações externas da UE, Benita Ferrero-Waldner. “Mas há também a responsabilidade de todos os outros. Israel tem de pagar os impostos, que é dinheiro palestino, e nós da comunidade internacional temos de continuar ajudando os palestinos o tanto quanto possível.”

No segundo dia de violência entre facções do Hamas e do Fatah na Faixa de Gaza, líderes dos dois grupos pediram calma. Ontem, um ataque de militantes do Hamas contra o funeral de um membro do Fatah deixou nove feridos, incluindo cinco crianças.

O apelo foi feito após uma reunião dos líderes Khaled Mashaal, do Hamas, e Farouk Kaddoumi, do Fatah, em Damasco (Síria). “Pedimos a todos que recorram à calma e transformem confrontos em diálogo”, diz a nota conjunta. “Se houver conflitos, a entidade sionista será a única beneficiada.”

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