Pesca & Lazer

História de pescador: Um peixe para dois


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Antes de mais nada, permitam-me omitir o local onde ocorreu o fato que vou narrar, para evitar constrangimentos ao proprietário do pesqueiro. Os personagens, embora tenham clamado pelo anonimato, terão seus nomes gravados nos anais da pesca! São eles: meu querido amigo Carlão, um dos bons caixas do Banespa, e seu filho, o pequeno Bruno. O domingo, ensolarado já pela manhã, convidava para uma deliciosa pescaria.

Encontramo-nos no pesqueiro, por coincidência. Pescava eu algumas tilápias, protegendo-me do sol forte, quando a solerte “dupla” preparou os molinetes para fisgar alguns pacus, no tanque ao lado. Tudo acontecia na maior normalidade. Pai e filho se deliciavam na disputa familiar para ver quem pegaria o primeiro peixe. Não deu outra. Adivinhem quem capturou o segundo peixe? Foi o Carlão, pois o primeiro o Bruno já havia fisgado um minuto antes! Aí, deu aquela costumeira paradeira. Sumiram os danados dos pacus! Impaciente, Bruno comunicou ao pai: - Tô indo pro outro lado, tá pai? - Tudo bem, mas tenha cuidado - concordou meu amigo.

Estavam posicionados um em frente ao outro, separados pela água turva do lago que abrigava o cardume. Repentinamente, ouviu-se do Bruno um grito eufórico e ofegante: - Pai, esse deve ser grande! O pai, orgulhoso e envaidecido, mal teve tempo de orientar o filho, pois, ao mesmo tempo, sua linha, tal qual a do pequeno Bruno, zunia, correndo em ziguezague! Emoção total! As poucas pessoas que estavam pescando esqueceram de suas varas e acompanharam com atenção a agitação da água. Eu também, confesso que fiquei na maior expectativa!

O mais curioso é que quando a linha do Carlão corria para o centro do lago, a do pequeno Bruno a acompanhava, como se elas estivessem enroscadas. - Vamos recolher a linha e puxar com força, vociferou Carlão! O filho, imediatamente obedeceu (bom filho) a ordem do pai. Em velocidade máxima, ambos recolheram as linhas e puxaram as varas para trás. Vaaaaaapttt! Surpresa!!! As linhas esticadas saíram da água e deixaram à mostra um belo exemplar de pacu, fisgado pelos dois anzóis ao mesmo tempo!

Era um cenário doméstico! O belo pacu de quase dois quilos parecia uma peça de roupa, oscilando ao vento e secando no varal de um quintal! Coisa de maluco! Tudo aconteceu em poucos segundos... Nem pai nem filho souberam parar de puxar e enrolar a linha, usando uma força descomunal desenvolvida pela forte emoção. A platéia, assim como eu, estava petrificada, boquiaberta, não acreditando no que via.

O silêncio foi quebrado por um som parecido com o de um pano grosso sendo rasgado: -Ttrrraaaash! O peixe se partiu ao meio, da cabeça ao rabo, ficando metade em cada anzol! Recolhidas as linhas, cada um com sua metade muito bem fisgada, não sabia se ria ou se chorava de surpresa e contentamento! Aferido o peso, cada parte pesou exatamente 900 gramas, fazendo justiça e evitando briga entre pai e filho! Foi a primeira vez que eu vi alguém pegar “meio peixe”! Portanto, este fato não pode ser considerado inverossímil por “ inteiro “, mas só pela “metade”!

Fernando Lucilha Júnior é pescador por “ inteiro” e contador de causos pela “metade”.

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