Política

Serra acusa PT de maquiar Saúde

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

O pré-candidato ao governo do Estado de São Paulo José Serra (PSDB) afirmou ontem, em visita a Bauru, que o governo federal não cumpre o que dispõe a emenda constitucional nº 29, contabilizando gastos com o programa Bolsa Família na conta do Ministério da Saúde, através do Sistema Único de Saúde (SUS). Com a medida, diz Serra, o governo Lula maquia as contas sem cumprir o gasto mínimo de 15% das receitas com o setor.

Apesar de pregar que vai debater os problemas do povo paulista na campanha deste ano, em sua primeira visita à região o tucano bateu no adversário federal. De outro lado, Serra já deve esperar que o pré-candidato a governador pelo PT, o senador Aloizio Mercadante, faça o inverso, apontando para feridas do mandato tucano em São Paulo, sobretudo na gestão de Geraldo Alckmin (PSDB), que é adversário de Lula em nível nacional.

As diferenças de foco na polarização entre petistas e tucanos ficou clara, por estratégia, na visita do ex-prefeito José Serra. “A saúde melhorou muito no Estado de São Paulo, com a conclusão de uma rede de excelência. Mas o PT descumpre a emenda constitucional 29 dando a ela uma interpretação equivocada. O Alckmin foi um dos poucos governadores que cumpriu gastar pelo menos 15% com saúde e os prefeitos em sua maioria cumprem. Mas o governo federal inclui gastos com o Bolsa Família na área de saúde, um absurdo. Não vale, isso é renda, não aplicação em saúde. Com isso o governo do PT está garfando dinheiro do SUS, que é quem irriga o sistema”, lançou Serra.

O candidato tucano também lembrou que, em 2002, quando participou do programa Roda Viva, da TV Cultura, no final da campanha em que foi derrotado por Lula, avisou que não haveria surpresa na política-econômica com os petistas no poder. “Eu já havia alertado que não teria surpresa, que o PT conduziria a política-econômica de forma mais ortodoxa que nós. E isso era certo. O que eu disse é que o povo pensava que o PT era esquerda, mas esquerda éramos nós. A supresa é que eu não esperava que o PT fosse afundar na questão ética”, atacou.

Pregando o que chamou de “revolução na educação”, o tucano pontuou que os governos de Mário Covas e Geraldo Alckmin universalizaram o acesso ao setor. “Agora é a vez de atacar a qualidade com mais ênfase. Será prioridade a educação básica. Na cidade de São Paulo encontrei 17 mil crianças analfabetas. Tem merenda, professor, estrutura, mas elas não aprendem na escola”, criticou, desta vez em referência à gestão da petista Marta Suplicy.

Dois professores

Serra arriscou criticar, convocando sua experiência de professor de matemática no passado, que é equivocada a tese de que não se deve utilizar método de memorização na educação para algumas matérias. “A garotada não aprende mais tabuada, leva na prova para verificar e não sabe quanto é 7x8. Se inventou no Brasil que não se deve memorizar nada e isso está errado. Como vai construir 7x8, não tem cabimento”, abordou.

Em tom mais específico, José Serra prometeu criar dois professores por sala de aula na primeira série. “Este é um programa que vamos implementar, porque o primeiro ano é estratégico no histórico da criança. Um professor ministra aula e o outro é assistente, agregando qualidade com conteúdo na sala de aula”, menciona.

A recepção a José Serra no escritório político de Pedro Tobias contou com a participação de representantes de 64 cidades da região. Tobias elencou que Serra é o mais preparado e que o PSDB não vai realizar o “governo do continuismo”, mas da “continuidade com desenvolvimento”. Tobias lamentou que o governo federal paralisou o programa de atendimento, em mutirão, para catarata e câncer de próstata. “O PT talvez queira que ninguém enxergue mesmo a sujeira que ronda em Brasília”, disparou o deputado para a platéia de 350 tucanos e simpatizantes.

José Serra chegou a Bauru por volta das 12 horas, concedeu entrevista em emissoras de televisão, caminhou no Calçadão cumprimentando a população, tomou a vacina contra a gripe – destinada a pessoas com mais de 60 anos -, visitou jornais, recebeu homenagens no JC e participou de encontro suprapartidário na sede do PSDB, nos Altos da Cidade.

A assessoria de imprensa do Ministério da Saúde comentou, ontem à noite, que o comentário de José Serra a respeito de suposta desobediência à vinculação constitucional na área de saúde, pelo governo federal, será avaliada pela pasta para eventual resposta. A fala de Serra foi considerada, a priori, esperada por se estratégia eleitoral dos tucanos.

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