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Tubulação vira casa para sem-teto

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 2 min

Uma tubulação para drenagem de água da chuva, ao lado do viaduto Casimiro Pinto Neto, no cruzamento da avenida Nações Unidas com a rodovia Marechal Rondon, em Bauru, o local que Alexandre Alberto Dias de Moura, 37 anos, resolveu morar. Brigado com a família há mais de cinco anos, evitando o abrigo no Albergue Noturno e fugindo dos assaltos nas ruas, ele encontrou no buraco o lugar mais seguro para dormir.

De longe, quem passa na avenida quase não enxerga Moura, mas quem faz o retorno da rodovia, no sentido Interior-Capital, para entrar em Bauru, consegue vê-lo. “Faz tempo que eu estava rodando atrás de um lugar. Aqui eu estou mais seguro”, conta. O lugar é precário. A única proteção que Moura tem, é um plástico que prendeu com pedras na entrada da sua toca, forrada com papelão.

E quando chove? Como a tubulação serve para o escoamento da água, a solução é se mudar. “Se a água começa a vir, eu pego minhas coisas e durmo embaixo da ponte”, explica. Ele conta que passa a maior parte do dia andando pela cidade atrás de latinhas de alumínio, que vende para conseguir algum dinheiro. Moura conta que estudou até a 6ª série, sabe ler e escrever e trabalhava como servente de pedreiro. “Eu morava com meu pai, mãe, irmão. Mas me desentendi com eles e não tem volta”, diz, sem revelar o motivo da discussão.

Ele contou à reportagem que quer conseguir tirar seus documentos, que teriam sido furtados junto de uma mala com suas roupas. “Morar aqui é melhor. Na rua, vivia sendo assaltado”, conta. Moura afirma que nasceu em Garça, mas vive em Bauru desde os 7 anos. E sua família mora no Núcleo Mary Dota. “Eles pagavam um hotel para mim. Mas disseram que estava ficnado caro e que iriam procurar um mais barato. Isso já faz um mês”.

Para o futuro, Moura contou que pretende comprar um violão e seguir a carreira de cantor e compositor.

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