A Copa do Mundo tem um significado especial para os moradores do Jardim Manchester. Desta vez, quando a seleção de Parreira estrear na Alemanha, a rede de esgoto estará funcionando no bairro. Na época em que o Brasil levou o penta, a iluminação elétrica foi instalada e comemorada como final de campeonato.
“Quem sabe na próxima, venha o asfalto”, comenta o jardineiro Claudemir Cordeiro. Vivendo há dez anos no local, ele lembra quando a rede foi implementada na gestão anterior. No entanto, ficou inutilizada por cerca de quatro anos porque restava ainda a execução de outra obra capaz de garantir a travessia do esgoto sob a rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (Bauru-Jaú).
Por meio dela, concluída nesta semana, o esgoto será ser lançado no rio Bauru. Além do trabalho, orçado em R$ 30 mil, o Departamento de Água e Esgoto (DAE) também terá a incumbência de interligar os ramais das residências à rede pública. O serviço será realizado desde que o morador desembolse R$ 134,76 (valor pode ser parcelado em dez vezes) e providencie a instalação de um caixa de inspeção de alvenaria.
Ela é necessária para que a autarquia possa realizar eventuais trabalhos de desobstrução da rede, em caso de entupimento. Para que seja providenciada, a autarquia entregou nas casas um modelo explicando como a caixa deve ser construída. No caso de Claudinei, ele próprio colocará a mão na massa.
Vantagens
Mas antes, para fazer o serviço, terá de levar a mão ao bolso, embora já tenha investido R$ 1.600,00 na construção de uma das três fossas sépticas instaladas na sua casa. Pelo menos assim deixará de fazer “trabalho sujo”. É ele quem limpa uma delas, de três em três meses, aproximadamente.
A alternativa, nada agradável, é a saída encontrada pelo jardineiro para economizar os R$ 70,00 cobrados pelo DAE para fazer o trabalho nas residências com fossa séptica. Também quer se livrar delas o carroceiro Jones Cordeiro, pai de Claudemir. Para ele, a medida também é garantia de saúde para a população.
Quando mal feita, a fossa representa risco de contaminação do lençol freático. “Para que não haja problema, ela tem que ter um dimensionamento e uma absorção suficiente”, explica o engenheiro e diretor técnico do DAE, Leandro Razuk Ruiz. De acordo com ele, as construções irregulares também representam ameaça de contaminação aos poços d’água, muitas vezes instalados nas proximidades.
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Saúde pública
A rede de esgoto também representa um avanço para a saúde pública na prevenção de doenças. Isso porque à medida que o esgoto é canalizado, não entra em contato com a população, evitando a transmissão de doenças como as diarréias em geral.
“O esgoto canalizado é uma medida de controle de saúde. Onde há esgoto e água contaminada perto de moradias, é maior o risco da população adoecer”, comenta a enfermeira Heloísa Lombardi, da Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde.
Ela ressalta que o ideal seria ter 100% de rede coletora de esgoto e de água tratada, mas frisa que o índice de Bauru já é satisfatório uma vez que há ocupações irregulares, como as favelas, que dificultam a implantação da infra-estrutura.
Ieda Rodrigues