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Em depoimento à PF, Silvio Pereira nega saber sobre fraude nos Correios

Folhapress
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Brasília - Em depoimento à Polícia Federal(PF) ontem, o ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira negou que tivesse ingerência política sobre os Correios ou qualquer conhecimento sobre fraudes em contratos firmados pela estatal.

Questionado sobre a entrevista que concedeu ao jornal "O Globo", na qual afirma que o esquema do valerioduto pretendia arrecadar R$ 1 bilhão em negócios com o governo, ele disse que repetiu a cifra lida em uma reportagem.

Para a PF, a intenção de Pereira ao dar a entrevista foi pressionar o PT. O ex-dirigente sentiu-se abandonado pelos antigos companheiros. Tentou sinalizar que tem coisas a dizer. Seu estado de espírito, em depressão desde que deixou o PT, em julho do ano passado, funcionou como combustível para as declarações, contrariando o silêncio e as negativas que ele manteve no último ano.

Junte-se a isso, o fato de, em dias próximos à entrevista, o partido ter feito seu encontro nacional, para o qual ele não foi convidado. Pereira também depôs na Procuradoria da República do Distrito Federal.

O depoimento começou por volta das 15h e até o momento não havia terminado. Ele depõe no inquérito que apura irregularidades em licitações e contratos nos Correios. Ontem, ao depor na CPI dos Bingos, disse não saber distinguir o que é "fato, fantasia ou ficção" na sua entrevista ao jornal. Ele apontou o ex-diretor de Tecnologia dos Correios Eduardo Medeiros como a única indicação do PT para o comando da estatal, ainda assim com uma ressalva: o padrinho de Medeiros seria o núcleo petista dos funcionários da empresa e não propriamente o partido. Foi por tal motivo, segundo Pereira, que a Diretoria de Tecnologia foi para a mesa de negociação com o PTB, que pretendia indicar Ezequiel Pereira para a vaga, com o aval do senador Fernando Bezerra (PTB-RN).

Conforme Pereira disse no depoimento, sua atuação se limitava a receber e triar indicações das bases petista e aliada, que a ele encaminhavam nomes para ocupar os cargos no governo. Feita essa seleção, as indicações mais bem cotadas eram enviadas para os ministros, aos quais caberia decidir sobre nomeações relativas às suas pastas e estatais subordinadas. Advogado do petista, Iberê Bandeira de Mello disse que seu cliente era apenas um "tarefeiro", um "operador do PT, como existem em todos os partidos. Ele era dirigente do PT, mas não do País".

Apesar de negar ter influência sobre contratos firmados pelos Correios, Pereira confirmou aos policiais que se encontrou com o dono da empresa aérea Skymaster, Luiz Otávio Gonçalves, que teria se queixado de que sua empresa estaria sendo perseguida por petistas nos Correios. O petista disse não ter feito nada com relação à denúncia.

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