Diante de tantos estabelecimentos comerciais e instituições que perturbam o descanso de moradores, as escolas fazem parte de um grupo que divide opiniões.
Quem tem filhos em idade escolar acredita que é vantajoso residir próximo a instituições de ensino, pois não é preciso gastar com transporte, a criança muitas vezes pode ir e voltar sozinha e é mais fácil controlar a permanência do estudante nas aulas. Por outro lado, para aqueles que não têm filhos, as escolas representam bagunça, barulho e até violência.
A aposentada Ana Helena Randic, 69 anos, que mora há 14 anos ao lado da escola estadual Ernesto Monte, no Altos da Cidade, conta que se assusta constantemente com as brigas e tumultos causados pelos estudantes na saída e entrada das aulas. “Sempre sai briga, eles (estudantes) já chegaram a jogar pedra na janela da minha casa. Perdi a conta de quantas vezes tocaram a campainha e saíram correndo. Não entendo a razão desse vandalismo”, diz.
Randic lembra que no passado as famílias gostavam de morar próximo a escolas e que estas localizações eram bastante valorizadas. “Antes havia algumas travessuras, mas a escola era um local agradável e os estudantes não tinham respeito pelas pessoas mais velhas. Hoje eles xingam, dão risada dos idosos”, comenta.
No entanto, há quem acredite que ainda hoje é vantajoso residir ao lado de escolas. A empregada doméstica Rosângela Aparecida Barbosa, 22 anos, que há oito anos mora próxima à escola estadual Plínio Ferraz, no Jardim Solange, explica que freqüentou esta escola durante sua infância e adolescência e que hoje seu irmão mais novo estuda no instituição. “É mais fácil para ir e voltar da escola. E não acho que os alunos fazem muita bagunça. Pra mim nunca atrapalhou”, frisa.