Esportes

Personagem: Novamente titular, goleiro Maurício pretende encerrar carreira no Noroeste

Rodrigo Allegro
| Tempo de leitura: 7 min

A relação do goleiro Maurício Assoline com o Noroeste e a cidade de Bauru começa no final de 2003, quando o goleiro acreditou num projeto revolucionário do presidente Damião Garcia, e comandado pelo superintendente Celso Zinsly, falecido em fevereiro deste ano. Após sua chegada, como principal reforço, Maurício, que começou sua carreira em Novo Horizonte, sua terra natal, demonstrou muita personalidade ao prometer para Damião Garcia que iria “pegar o Noroeste na Série A-3 e devolvê-lo na A-1”: dito e feito.

Agora, com contrato renovado até o final do ano, o Noroeste terá novamente na disputa do Campeonato Brasileiro da Série C, o dono da camisa 1 nos dois acessos consecutivos do clube e que mantém uma grande identidade com a cidade e os torcedores.

Em ano de Copa do Mundo, e com a indefinição por parte do técnico da Seleção Brasileira, Carlos Alberto Parreira, na convocação dos três goleiros do Brasil, área que Maurício conhece como poucos, o atleta falou em entrevista ao Jornal da Cidade, quem seria o seu goleiro titular na Alemanha, na vontade de encerrar sua carreira no Noroeste, além de fazer uma análise sobre o futebol e a crise do Corinthians, clube onde jogou por quatro anos. A seguir leia os principais trechos da entrevista exclusiva do goleiro ao JC.

Jornal da Cidade - Você demorou um pouco para definir sua situação com o Noroeste. Qual foi o motivo? Outras propostas?

Maurício - Olha, propostas até existiram, mas eu nem fui atrás. Eu tinha certeza que tudo iria ocorrer bem e eu acertaria com o Noroeste.

JC - Você ainda mantém o sonho de encerrar sua carreira no Noroeste e permanecer morando em Bauru, já que você e sua família gostaram bastante da cidade.

Maurício - Com certeza, o meu sonho é encerrar a carreira no Noroeste, não sei quando (risos). Eu tenho 35 anos e pretendo jogar mais dois ou três anos. Tudo irá depender do meu futuro e do Noroeste daqui para frente.

JC- O que mais chamou sua atenção e de seus familiares em Bauru?

Maurício - Eu já morei em muitas cidades, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Caxias do Sul, mas aqui em Bauru, eu e a minha família nos sentimos em casa. O clima é ótimo, a cidade tem boas faculdades, restaurantes, a violência é pequena, além do povo que nos acolheu de uma forma muito legal. Eu sou de Novo Horizonte, que é próximo daqui, então fica fácil para visitar meus familiares.

JC - Qual a sua expectativa e responsabilidade na disputa do Campeonato Brasileiro da Série C? Você já disputou a Terceirona?

Maurício - Eu nunca disputei a Série C e será mais um desafio na minha carreira.Vai ser um campeonato muito equilibrado, de tiro curto, além de contar com equipes tradicionais do futebol brasileiro, com Bahia, Vitória, e essa surpresa que é o Ipatinga. Mas eu confio muito no seo Damião, no Fabinho, no Paulo Comelli, e tenho certeza que nós teremos uma equipe forte e que lutará pelo acesso e também o título.

JC - Você pretende fazer mais uma promessa para o presidente Damião Garcia, na qual ´colocará´ o Noroeste em 2008, na Série A do futebol brasileiro? Ou chega de promessas?

Maurício - Promessas às vezes não são cumpridas, por diversos fatores. Logo que eu cheguei aqui, eu fiz uma promessa e consegui cumprir graças a Deus. Agora, o que eu posso prometer é muito empenho e dedicação não só minha, mas de todos.

JC - Como foi lidar com a reserva no Campeonato Paulista, deste ano, sendo que o Mauro participou de todos os jogos. Você concorda com a opinião de muitos treinadores e jornalistas que afirmam que o goleiro tem que ser de confiança do técnico?

Maurício - Concordo. E, no meu caso, foi uma opção técnica exclusiva do Paulo Comelli, além do Mauro ter jogado muito bem o Paulista?

JC - Você estava tecnicamente ou fisicamente em condições inferiores a do Mauro?

Maurício - Pelo contrário, nos treinamentos o Carlos Gallo (preparador de goleiros do Noroeste) havia me dito que eu estava até melhor que o Mauro, mas eu acredito que foi opção mesmo do Comelli. Falar que eu gostei, eu estaria mentindo. Eu fiquei muito chateado, mas não está escrito no contrato de nenhum atleta que ele tem que ser titular.

JC - Mudando um pouco de assunto, nós estamos nas vésperas da convocação da Seleção Brasileira. Se o Maurício fosse o técnico qual seria o seu goleiro titular e os outros dois?

Maurício - O meu goleiro titular é o Dida, mas o Rogério Ceni tem que estar no grupo, pela ótima fase que ele atravessa. O terceiro goleiro seria o Júlio César.

JC - Mas e o Marcos nessa história?

Maurício - O Marcos é um dos melhores goleiros que eu vi jogar, depois do Taffarel, que para mim foi o melhor de todos, mas o Marcos está com uma contusão séria e seria arriscado levá-lo desse jeito. Mas a responsabilidade e a bucha são do Parreira e não minha (risos).

JC - Na sua opinião quais os três principais fundamentos que um bom goleiro deve ter?

Maurício - Qualidade técnica, agilidade e uma ótima saída de gol.

JC - Você possui essas três características?

Maurício - Acho que sim, mas não serei eu que vou julgar e sim vocês da imprensa esportiva (risos).

JC - Como você está vendo essa nova fase do Noroeste dentro e fora de campo?

Maurício - Realmente será outra realidade do que foi no Paulista, já que o clube contava com uma ajuda financeira da televisão e Federação. Agora, volta tudo para cima do seo Damião. Eu conversei com o Fabinho, e ele me disse que o Noroeste não conseguiu vender nenhum jogador nesse três anos e só colocou dinheiro próprio. Mas a boa vontade do presidente, a competência do Fabinho, me deixam com a certeza de que nós vamos brilhar na Série C.

JC - Aquela triste situação da morte do Celso Zinsly, minutos antes do jogo contra o Palmeiras, foi o momento mais difícil seu dentro do futebol, ou você já tinha passado por situação parecida?

Maurício - Não, eu nunca havia passado por uma situação como aquela. Foi triste demais. Eu fui informado no banco de reservas, pelo médico do clube, e acho que somente eu e o Paulo Comelli sabíamos do falecimento do Celso.

JC - O futebol exerce uma pressão muito forte em cima dos dirigentes, técnicos e jogadores, fale um pouco sobre isso?

Maurício - Não é fácil lidar com essa pressão. Muitas pessoas acham que a vida de jogador é cercada de dinheiro e fama, mas existem momentos delicados e de muita pressão, onde você, dependendo da situação, não pode nem sair de casa devido às fortes cobranças dos torcedores, que são movidos pela paixão. O Celso (Zinsly) era um abnegado pelo Noroeste e vivia o clube 24 horas, mas acabou deixando sua saúde um pouco de lado, numa hora em que os médicos e amigos diziam para ele se cuidar mais.

JC - Falando em pressão, você melhor do que ninguém, já que atuou por quatro anos no Corinthians, pode falar sobre toda essa crise que o clube atravessa, após a eliminação na Libertadores da América.

Maurício - Estão acontecendo coisas estranhas lá dentro do Corinthians, mas só quem vive o dia-dia é que pode dar uma resposta para todos esses problemas. Eu acho que está ocorrendo muita vaidade e desunião entre os dirigentes e jogadores. Eu já passei por algumas situações complicadas no Corinthians, principalmente após a segunda eliminação para o Palmeiras, na Libertadores de 2000, quando os torcedores pegaram pesado, entrando no vestiário para pressionar e xingar, e o clima ficou feio durante algum tempo, mas depois volta tudo ao normal.

JC - Para finalizar, está mais fácil ou mais difícil jogar futebol hoje em dia em relação à décadas passadas.

Maurício - Eu acho que cada época é diferente. Em 70, o Gérson, Pelé e o Rivelino, todos eles paravam e tinham tempo para pensar nas jogadas. Hoje em dia, você nem recebeu a bola direito e já tem dois ou três jogadores em cima. Ao longo dos anos, houveram mudanças radicais, no que se refere ao avanço da medicina esportiva, aparelhagem, além dos novos métodos nos treinamentos físicos. Com certeza, o futebol está mais difícil.

JC - Então, o Ronaldinho Gaúcho é um gênio, já que ele cria como os jogadores do passado, numa época mais competitiva?

Maurício - Com certeza. Ele é um gênio e é o melhor jogador de todos os tempos, depois do Pelé, na minha opinião.

JC - A Seleção Brasileira conquistará o hexa, na Alemanha?

Maurício - Tem tudo para ganhar o hexa, desde que abra o olho e não entre na competição de salto alto, porque daí volta rapidinho para casa.

Comentários

Comentários