Barra Bonita – Um acervo ambiental de mata atlântica que corria risco de extinsão está sendo recuperado em Barra Bonita (68 quilômetros de Bauru). No local, madeiras raras como pau-brasil, cedro, jambolão e outras poderiam desaparecer vítimas de constantes queimadas do capim.
A proteção da área remanescente de mata atlântica foi definida em um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) firmado em 2005 entre o Ministério Público e a Prefeitura de Barra Bonita. O TAC definiu o plantio de 7.500 mudas de espécies nativas. No Dia Mundial do Meio Ambiente, 5 de junho, o parque será aberto à visitação.
O lugar pertence à Usina da Barra, controlada pelo Grupo Cosan, e é denominado como Fundação Parque Ecológico Orlando Chesini Ometto. Para o diretor do Departamento Urbano e Gestão Ambiental de Barra Bonita, Marcelo Cavinatto, o local estava abandonado. “Tinha muita queimada de capim gordura que também queima a mata replantada. Mexe com uma questão fundamental que é recuperar áreas verdes que não temos por aqui. Só se vê cana-de-açúcar”, ressalta Cavinatto.
O parque é formado por quatro alqueires e foi criado há 16 anos, numa mata às margens da rodovia Deputado João Lázaro de Almeida Prado (SP-255) que liga Barra a Jaú.
A primeira mudança ambiental é a diminuição das queimadas com o início de trabalho no corte do mato.
Conforme Cavinatto, ainda se destaca na área uma lagoa formada pelo córrego Barra Bonita e que forma uma pequena cascata. Além disso, o parque é cortado por outro córrego que daságua no Barra Bonita.
A nova fase do parque prevê melhorias para atrair turistas, transformando o local em ponto de visitação.
De acordo com Cavinatto, um biólogo está indicando as melhores espécies de árvores e plantas, e anfíbios, peixes e aves para o repovoamento do lugar.
A próxima estapa é implantar esportes radicais, como arborismo e a tirolesa, para os visitantes. As atrações estão sendo negociadas com uma equipe especializada e que atua no município de Brotas. O parque ainda oferecerá passeio de charrete e pedalinho no lago.
Foi apresentada na última terça-feira a proposta de um grupo de arquitetos para a implantação no parque da Capela de São Francisco de Assis e Santa Clara, de um prédio para recepção de turistas e um mirante.
“O parque vai se tornar uma atração internacional. É um showroom do que será o futuro. Não é só o parque que vai ganhar, mas é um conceito novo de arquitetura que as pessoas poderão usar para construir suas casas”, avalia Cavinatto.
Ele acrescenta que o projeto está orçado em R$ 300 mil, valor que poderá vir de investimentos da iniciativa privada ou empresas públicas. O diretor de Gestão Ambiental defende a proposta pelo baixo impacto ambiental, com uso de materiais da própria natureza, minimizando a agressão ao meio ambiente.
Para o arquiteto César Augusto da Costa, coordenador do projeto, a proposta transformará o parque num ponto de visitação e turismo ecológico para toda a região. Costa explica que utilizou no projeto o conceito da bioarquitetura, que possibilita liberdade plástica com baixo custo, criando formas que se assemelham a padrões da natureza, visível nos formatos de plantas e flores.
Conforme o arquiteto, cada ponto é uma obra de arte a ser visitada, uma arquitetura em forma de escultura, colorida e integrada à paisagem. Outro conceito presente, segundo Costa, é o de eventos arquitetônicos, sendo cada construção um ponto de visitação que deve causar deslumbre ao visitante, por dentro e por fora da obra.
“Além disso, carrega a proposta de educação ambiental, pois tudo o que for feito lá serão com técnicas de mínimo impacto, próximo ao conceito de carbono zero, um novo conceito que surgiu na Europa relativo às construções que não emitem carbono na atmosfera em nenhum momento da obra. Os visitantes verão que é possível construir de um modo ecológico, com conforto e arte”, saliente o arquiteto.
O projeto está dimensionado para ser concluído em oito meses, com obras de edificações e paisagismo em aproximadamente 1.000 metros quadrados.