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Maior ataque do PCC faz 30 mortos no Estado

Folhapress
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São Paulo - No maior ataque já realizado contra as forças de segurança de São Paulo, a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) provocou a morte de 30 pessoas, feriu gravemente outras 32, bombardeou delegacias, metralhou carros e bases da Polícia Militar e de Guardas Municipais, e ainda promoveu 22 rebeliões em presídios da Grande São Paulo e do Interior do Estado.

Esta é a segunda maior ocorrência de rebeliões simultâneas na história do Estado. Em fevereiro de 2001, 24 penitenciárias participaram de motins organizados pelo Primeiro Comando da Capital (PCC).

Os atentados e motins começaram sexta-feira, logo após o governo de São Paulo finalizar a transferência de 765 detentos, subordinados aos líderes do PCC, para a Penitenciária 2 de Presidente Venceslau (620 quilômetros de SP), transformada em uma prisão especial para os membros da facção criminosa. Entre os transferidos está Marcos Willians Herbas Camacho, 38 anos, o Marcola, apontado como o líder do grupo. Os ataques às forças de segurança, segundo o governador Cláudio Lembo (PFL) e seus secretários Saulo de Castro Abreu Filho (Segurança Pública) e Nagashi Furukawa (Administração Penitenciária), foram represálias às transferências dos presos.

A movimentação dos homens ligados ao comando do PCC começou um dia após os delegados Godofredo Bittencourt e Rui Ferraz Fontes, do Departamento de Investigações Sobre o Crime Organizado (Deic), destacados pelo governo paulista especialmente para investigar a facção, prestarem depoimento à CPI do Tráfico de Armas, em Brasília (DF), e denunciarem, em sessão secreta, novos planos dos criminosos.

Ao lado de outros seis homens da cúpula do PCC, Marcola foi transferido na sexta-feira para a sede do Deic, no Carandiru (zona norte de São Paulo). Ali, ele conversou muito com o delegado Bittencourt, principalmente à noite, quando os ataques foram intensificados em todo o Estado. Essa transferência de Marcola é um dos motivos para os atentados.

Também em represália às transferências, entre a tarde de sexta-feira e a manhã de ontem, 22 penitenciárias de segurança máxima, localizadas no Interior do Estado e na Grande São Paulo, enfrentavam rebeliões. Nas prisões, pelo menos 56 agentes penitenciários eram mantidos reféns por integrantes do PCC até as 14h.

Dos 30 mortos nos atentados, 23 eram membros das forças de segurança do Estado (cinco eram policiais civis, 11 eram militares, quatro trabalhavam como carcereiros ou agentes penitenciários e três eram guardas municipais), cinco seriam supostos integrantes da facção envolvidos nos ataques; as outras vítimas eram civis - a namorada de um policial e um cidadão comum.

Na capital e na Grande São Paulo, os ataques aconteceram principalmente na noite de sexta-feira e na madrugada de ontem. Dois guardas municipais de Jandira (Grande São Paulo) -Sidney de Paiva Rosa, 25, e Antonio Carlos de Andrade, 34 - foram mortos a tiros. Em Osasco, um PM foi morto. Ele levou pelo menos 12 tiros depois que seu carro foi atacado por homens que estavam em um Gol.

Na porta do Hospital Geral de Guaianazes, na zona leste, um policial civil que trabalhava na delegacia do bairro, o 44.º DP, foi atacado e morto. Ainda na mesma região, outro PM foi baleado e está internado em estado grave. Uma moradora de Sapopemba foi atingida na mão por uma bala perdida. Ao todo, na zona leste, foram três PMs baleados. Na zona sul, um policial civil que trabalhava no 85º DP (Jardim Mirna) foi morto na porta de sua casa.

Em outra ação, um investigador do 15.º DP (Itaim Bibi) foi morto quando estava ao lado da noiva, sentado no balcão de um bar na rua Clodomiro Amazonas. Um homem encapuzado entrou no local e atirou na sua cabeça. No Centro, perto do teatro Sérgio Cardoso, um outro PM levou um tiro na perna. Por volta da 0h30 de ontem, dois bombeiros foram baleados na alameda Barão de Piracicaba. Três suspeitos foram presos pelo crime.

Em Santa Bárbara d’Oeste (138 quilômetros de SP), um PM de Americana, a 128 km de São Paulo, foi morto com cerca de dez tiros na loja de conveniência de um posto de gasolina. Em Campo Limpo Paulista (57 quilômetros de Pão Paulo), o guarda municipal Luiz Roberto de Oliveira estava sozinho em uma base no Bairro São José. Homens em um carro metralharam o posto da guarda. Ele tinha 12 anos na função e estudava direito.

Na vizinha Jundiaí, a 60 km de São Paulo, um PM foi morto e outro ferido com oito tiros. No 1.º DP de Cubatão (58 quilômetros de SP), um investigador e uma carcereira foram baleados. Dois homens foram presos. No Guarujá (87 quilômetros de SP), uma bomba caseira foi jogada em um distrito.

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