A onda de rebeliões comandadas pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) chegou a Bauru ontem. Das quatro unidades prisionais do município, uma delas, o Centro de Detenção Provisória (CDP), estava em rebelião até o fechamento desta edição. Os detentos mantinham um agente penitenciário refém. Na região, mais cinco presídios enfrentavam rebelião.
O movimento começou por volta das 8h20, já durante o horário de visitas. A Polícia Militar (PM) foi acionada e permaneceu na parte externa do CDP durante todo o dia de ontem. Segundo a PM, que estava de prontidão em frente à unidade, ninguém havia se ferido.
Pelo menos 50 visitantes que entraram antes da rebelião deixaram o local até o final da tarde, segundo informou o capitão Flávio Jun Kitazume, comandante da 3.a Companhia da Polícia Militar. De acordo com informação da irmã de um detento, muitos familiares permaneceram dentro do CDP temendo que a polícia repreendesse os presos caso deixassem o local.
Enquanto os detentos andavam sobre o telhado, familiares permaneciam em frente ao portão da entrada principal do CDP procurando informações sobre seus parentes. “Não sabemos nada do que está acontecendo lá dentro”, comentou uma senhora que preferiu não se identificar. Mãe de dois detentos, ela abraçava três crianças pequenas (seus netos) na tentativa de amenizar o frio e disse ter vindo de Agudos assim que soube da rebelião.
Adriana Aparecida Andrade, esposa de um dos detentos do CDP de Bauru, criticou a falta de notícias por parte da direção da unidade. “Eu vim por causa da rebelião. Faz um mês que meu marido está preso. A gente pede notícia e eles falam que não têm”, comentou. A reclamação também foi compartilhada com o funcionário público Daniel Rodrigues da Silva, que tem um filho preso no local.
Apesar da “falta de notícias”, a reportagem flagrou alguns familiares conversando com detentos por meio de telefones celulares. Por volta das 21h, foi possível notar uma fumaça escura saindo do CDP. Os familiares se mobilizaram e correram para o portão. Mas logo receberam a notícia dos próprios presos de que era apenas uma fogueira que haviam feito para se aquecer.
Minutos depois foi possível escutar um estampido. Nova correria. Preocupação que também foi rapidamente dissipada com a informação de que seria apenas uma bomba de pequeno impacto estourada por um detento.
O abastecimento de água e energia elétrica no CDP foi cortado, segundo familiares dos presos. Durante toda a madrugada, cerca de 80 pessoas continuavam no local. Amontoadas ao redor de uma fogueira, dividiam comida e água. Segundo o cunhado de um detento, as negociações deveriam ser retomadas apenas ao amanhecer do dia seguinte.O CDP de Bauru tem capacidade para 768 presos, mas abriga atualmente 1.242.