Polícia

Sindicato dos agentes anuncia que pedirá intervenção federal

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

O Sindicato dos Trabalhadores do Complexo Penitenciário do Centro-Oeste Paulista (Sindicop) vai pedir hoje ao Ministério Público Federal a intervenção no Estado de São Paulo. Para a entidade, a situação nos presídios está sem controle e a Secretaria de Administração Penitenciária já se mostrou incompetente diante da organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

Para o presidente do sindicado em exercício em Bauru, Reinaldo Duarte Soriano, o Estado de Direito está comprometido. “A polícia está aquartelada e refém da situação, assim como os agentes, que são a ponta do iceberg. Se eles (polícias), que mantêm a lei e a ordem, estão na defensiva, imagine a situação do cidadão comum”, indaga.

A entidade vai pedir também garantias aos servidores públicos que trabalham nas unidades prisionais. “Um requerimento será encaminhado para o MP para que seja apurado se houve falhas funcionais no planejamento da transferência de membros do PCC que culminou com a megarrebelião.”

Hoje, o sindicato vai fazer ato público na Câmara Municipal de Bauru, às 14h. “Estamos cobrando das autoridades competentes uma ação rápida e enérgica do Estado; a vida dos agentes está em risco”, disse. Ele teme que mais presos de outros Estados também se rebelem.

Duarte critica o governo paulista. “Em 2001, houve uma megarrebelião nos presídios e, de lá para cá, nada mudou. Os detectores de celulares se mostraram inócuos. Em Bauru, eles nem foram instalados. Os presos estão com os aparelhos dentro dos presídios. Com eles, a comunicação fica facilitada”, comenta.

Desde então, o PCC se fortaleceu e o servidor público se enfraqueceu perante à facção criminosa, argumenta Soriano. “O governo nunca chamou nenhuma entidade para saber o que nós pensamos. O agente sabe dos problemas. A situação se agravou muito a partir do momento em que governo estadual achou que tinha o controle da organização criminosa”, frisa.

Para ele, o governo não tem noção da magnitude do PCC. “Eles (os governantes) sabiam antecipadamente da megarrebelião e demoraram para agir pensando que os presos não fariam nada por ser Dia das Mães, mas ocorreu o contrário”, completa.

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