Regional

PCC faz 34 reféns em seis presídios

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 3 min

A noite foi tensa ontem em pelo menos seis presídios da região. Presos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) dominavam, até o fechamento desta edição, 34 reféns, a maioria agentes nos presídios 1 e 2 de Pirajuí, 1 e 2 de Reginópolis, Penitenciária Estadual de Marília e Centro de Detenção Provisória de Bauru (CDP). Do lado de fora, policiais aguardavam ordem do comando para invadir e familiares de detentos continuavam à espera de notícias.

Depois da rebelião iniciada no sábado na Penitenciária 2 de Pirajuí, por volta das 7h de ontem, os detentos da Penitenciária 1 também se rebelaram. Possivelmente armados - a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) não forneceu detalhes - eles fizeram dez agentes reféns. Extra-oficialmente, comenta-se que a ordem para a rebelião teria vindo de detentos da P2, que passaram a noite toda com dez reféns.

Quando as visitas para os presos da P1 passavam pela revista, foram surpreendidas pelo alarme de emergência e tiveram que deixar o local. Os rebelados subiram no teto do prédio e quebraram telhas e vidros, A Tropa de Choque da Polícia Militar chegou ao complexo penitenciário, que abriga a P1 e P2, por volta das 8h30, de acordo com informações extra-oficiais.

Cerca de 50 pessoas estavam em frente ao portão principal de entrada do complexo. Algumas delas disseram que policiais chegaram a utilizar spray de gás pimenta para desfazer a barreira humana, que foi criada por familiares dos presos. Eles queriam impedir a entrada da PM no local.

Enquanto isso, os presos da P2 continuavam a rebelião mantendo os reféns e dando demonstração de força ao andarem sobre o telhado. Duas horas depois, detentos das duas penitenciárias de Reginópolis também aderiram às rebeliões em série que acometeram o Estado no último final de semana.

De acordo com informações obtidas na Polícia Militar de Reginópolis, as rebeliões nas Penitenciárias 1 e 2 começaram por volta das 10h30. Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria da Administração Penitenciária, sete agentes foram feitos reféns nas duas unidades - dois agentes da P1 e cinco agentes da P2. Como em Pirajuí, a Polícia Militar se posicionou no lado externo das penitenciárias e continuava lá até o fechamento desta edição. O fornecimento de água e luz elétrica não foram cortados nas duas unidades, segundo a PM.

De acordo com a PM de Pirajuí, que deslocou policiais para Reginópolis, um dos sete reféns teria sido liberado ontem mesmo. Um preso caiu do telhado de uma das unidades penais de Reginópolis. Ele foi socorrido e medicado, por volta do meio-dia, no Pronto-Socorro de Pirajuí, e liberado em seguida.

Um agente de uma das unidades penitenciárias de Pirajuí também foi atendido no Pronto -Socorro da cidade depois que entrou em estado de choque e desmaiou. De acordo com informações do Pronto-Socorro, o agente também foi medicado e liberado em seguida.

Na Penitenciária Estadual de Marília, segundo informações do 9.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (9.º BPMI), a rebelião teve início por volta das 8h30 de ontem, um pouco antes do horário de visitas. O BPM de Marília não soube precisar o número exato de reféns, mas segundo a SAP, seis agentes de segurança penitenciários foram dominados pelos detentos.

Os presos tomaram o presídio e alguns subiram no telhado. Até a tarde de ontem, a informação é a de que ninguém se feriu. A Polícia Militar se posicionou na parte externa da penitenciária. O abastecimento de água e luz também estava normal na unidade de Marília, de acordo com o tenente Edson Tiba, do 9.º BPMI.

A Penitenciária de Álvaro de Carvalho, região de Marília, era a única em que os presos não fizeram nenhum refém, mas, até o fechamento desta edição, continuavam rebelados.

Não foi informado se houve fuga de presos das penitenciárias rebeladas. A contagem dos detentos só será feita após o término das rebeliões.

Ontem à noite, um ônibus foi incendiado em Marília, ao que indica em mais uma ação do PCC. O motorista e o cobrador ficaram feridos no incêndio, que ocorreu no Jardim Primavera.

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