Pelo menos 123,7 mil animais são utilizados por ano como cobaias em três universidades da região de Ribeirão Preto: Universidade de São Paulo (USP), Barão de Mauá e Unifran. Ratos, camundongos, coelhos, hamsters e cachorros, jovens ou adultos. Todos são usados em pesquisas com o objetivo, de acordo com as universidades, de descobrir a cura para doenças e melhorar a vida do ser humano.
Os animais podem ser comprados ou produzidos dentro das universidades, mas todas afirmam que pretendem reduzir o número das cobaias utilizadas, substituí-las por outras técnicas de pesquisa e encontrar maneiras de diminuir a dor sentida pelos animais durante os experimentos. Apenas a USP de Ribeirão Preto é responsável pela produção de 122 mil animais ao ano.
A polêmica sobre o uso de cobaias animais acontece entre ambientalistas e pesquisadores desde o século 5 a.C. e as discussões se acirraram no século 18, mas há 15 dias o debate se tornou ainda mais intenso quando um pesquisador do Instituto Butantan foi autuado por enviar um tipo de cobaia (verme) não autorizada para pesquisa para o Exterior.
De acordo com o pró-reitor adjunto de pesquisa e pós-graduação da Universidade de Franca (Unifran), Dionísio Vinha, apesar da intenção da redução de cobaias, em alguns experimentos, os animais não podem ser substituídos por nenhuma nova tecnologia. Na Unifran, são utilizados 30 animais ao mês.
Vinha citou como exemplo as pesquisas feitas com coelhos para testes de metais pesados e uso de fitoterápicos (medicamentos feitos de partes de plantas) como anestésicos. Nos testes para os anestésicos, os coelhos são colocados em uma placa quente e, assim que levantam uma das patas - sinal de que estão sentindo dor -, a chapa é desligada. Em seguida, é aplicado uma nova dosagem de anestésico e verificado se o animal consegue ficar sob a placa por mais tempo.
Qualquer instituição que utilize animais como cobaias precisa criar comitês de ética - órgão que vai analisar os experimentos e o número de pesquisas feitas. De acordo com o diretor do serviço de biotério - viveiro em que se conservam animais para experimentos científicos - da USP, José Eduardo Laus, o número de vezes que cada animal é usado nos experimentos varia de acordo com a pesquisa realizada.
Para a advogada especialista em direito ambiental Danielle Tetü Rorigues, nenhum animal poderia ser utilizado como cobaia. “Os animais são seres passivos de dor, assim como os humanos e devem ser protegidos por lei.”